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Gestor ou não gestor: eis a questão

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/09/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Entre um governo que faz o mal

e o povo que o consente,

há uma certa cumplicidade

vergonhosa.”

(DA)

 

Há uma visível crise de falta de gestores públicos competentes, para tocar a administração pública do país. Onde mais essa falta é sentida, é no setor cultural, onde as mazelas e desperdício atinge as raias do impossível. Normalmente, quando são eleitos, prefeitos, governadores e o Presidente da República, dão pouca importância para o setor cultural, cuja condução é sempre atrelada ao toma lá dá cá.

 

No Brasil de hoje, são raras as prefeituras que se destacam na realização de uma política cultural decente. Hoje no Estado de São Paulo temos dois exemplos dessa política: São Vicente e Presidente Prudente, que se somam ao trabalho que vem sendo realizado em Cabo Frio, pelo secretário José Facury Heluy, e, em João Pessoa, onde está em andamento nova edição do Festival Internacional de Teatro.

 

Facury Heluy é um velho companheiro que iniciou seu trabalho em São Luiz, Maranhão, discípulo de Paschoal Carlos Magno, com quem me encontrei tempos atrás na Aldeia de Arcozelo, já trabalhando em Cabo Frio. São exemplos de gestores como Amauri Alves e Fábio Nougueira, que através do trabalho que realizam, impulsionam a movimentação e produção cultural de suas cidades. Não se movem pelo salário, como é o caso de certo secretário que fala pelas esquinas que ganha pouco, que precisa ter uma renda de pelo menos quarenta mil reais mensais.

 

Defendo até que deveria ganhá-los, caso tivesse competência, conhecimento e soubesse pelo menos o que define a palavra gestor. Soubesse o que significa respeito por seus comandados, deixando de lado uma arrogância e prepotência que lhe são características. Um gestor público que não tem o respeito de seus funcionários, ou da classe cultural de sua cidade, está fadado a receber vaias e os mais variados impropérios.

 

Sempre soube que é muito mais fácil desconstruir, do que colocar um tijolo a mais em uma construção. Falta a esse tipo de político um mínimo de ética e comprometimento para com a causa e os moradores de sua cidade. Só pensa nele e em tirar fotos para a posteridade.

 

Há um vazio de homens comprometidos com as verdadeiras causas de suas comunidades. A cada minuto nos deparamos com novos escândalos proporcionados por maus gestores, como é o caso do trensalão, petrolão, senatão, e outros da mesma estirpe. A república atravessa uma crise moral proporcionada e conduzida por sua elite política, uma elite que, infelizmente, é eleita pela sociedade. Aprender a escolher nossos representantes é prioritário, e sempre é tempo de refletir e escolher com mais cuidado.

 

Sempre é tempo também, de pressionar os eleitos quanto as suas escolhas para cargos de livre provimento. Não dá para aturar idiotas que após anos no cargo, cometendo uma serie infindável de equívocos, ainda tentam jogar para o antecessor, os fracassos que colecionam como mau gestor e mau caráter. Há uma diferença gritante entre o bom gestor e o carregador de mala de ministro.