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As omissões de sempre

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 04/10/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Hoje sei muito bem

que nada repugna tanto

ao homem, do que seguir

pelo caminho que o conduz

a si mesmo.”

(Hermann Hesse)

 

Para quem assistiu ao último debate dos presidenciáveis pela Rede Globo, deve ter percebido que, mais uma vez, nenhum dos candidatos e nenhuma das perguntas formuladas pelos produtores do programa, tratou de dois temas: esporte e cultura. Em função disso, qualquer um que se eleja vai tratar estes dois itens durante o seu governo, da mesma forma que eles vêm sendo tratados pelos atuais governantes.

Considero que a formação de cidadania está fincada no tripé: educação, cultura e esportes. A disseminação da pratica de esportes em nossa juventude, concorrerá para que tenhamos no futuro, adultos com melhores índices de saúde, o que diminuirá os gastos governamentais com este item. O incentivo do fazer cultural desde cedo, fará a diferença e nos proporcionará adultos com mais conhecimentos e melhor formação cultural. Com isso, teremos uma sociedade mais lúcida, com menores possibilidades de serem enganados pelos políticos carreiristas e oportunistas.

Somando-se estes dois itens a uma educação de qualidade, com escolas bem equipadas e professores bem remunerados, que sejam obrigados a se reciclar anualmente, para poder passar mais e melhores conhecimentos aos seus alunos, formaremos o principal tripé de formação de uma cidadania. Uma cidadania que a nossa sociedade está longe de possuir, em função da degradação do ensino público, e a da falta de incentivo para nossa juventude, no trato com a questão dos esportes e a questão da cultura.

Não havendo qualquer proposta em todos os debates realizados pelos presidenciáveis, somos obrigados a crer que, em qualquer dos governos que um deles exerça, esses itens serão mais uma vez marginalizados. Fica muito claro que não interessa a classe política brasileira, que a nossa sociedade obtenha conhecimentos sobre tudo que acontece nesse país. Os nossos políticos querem mesmo, a continuidade de um povo capacho, que se ilude com as mais variadas bolsas doadas pelos governantes, quando, poderiam exercer profissões dignas e ganharem muito mais. Manter o povo afastado, cego e ignorante com relação aos principais problemas nacionais, é o que esses políticos corruptos e oportunistas desejam para se perpetuarem em seus cargos.

Como Hermann Hesse colocou em seu romance “Demian”, “não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros. Começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim”.