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Abstenção e voto facultativo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 12/10/2014 Colunista: Carlos Pinto

“É sempre bom termos

consciência de que dentro

de nós, há alguém que

tudo sabe, tudo quer age

melhor do que nós mesmos.”

(Herman Hesse)

 

Os elevados índices de abstenção, votos nulos e brancos, merecem uma análise e um estudo, no sentido de detectar se o povo simplesmente está desiludido com a classe política brasileira ou, está na hora da adoção do voto facultativo. É certo que há um desânimo da população com os rumos da nossa economia e, também, com os crescentes e volumosos casos de corrupção envolvendo deputados, senadores, membros do governo e diretores das estatais, incluindo-se aí, dirigentes partidários.

Qualquer ladrão de galinhas quando é apanhado pela polícia, após julgado vai para as grades. Com os gatunos do erário as coisas não ocorrem nesse formato. Após julgados e condenados, tem direito a uma cadeia especial, onde só vão para dormir, ou então, a tal de prisão domiciliar. Quase todos os condenados no processo do chamado mensalão, estão cumprindo suas penas em casa, o que é um péssimo exemplo para toda a sociedade.

Talvez esteja nessa impunidade, o fator que levou a esse alto índice de eleitores a desperdiçar seus votos e sua oportunidade de se livrar de uma série de malandros encastelados no Congresso, nas Assembleias e no próprio governo. Deixar de votar ou não ter discernimento para escolher um candidato, resvala também na omissão e não concorre para um pleno estado democrático. Daí, talvez a aplicação do voto facultativo, venha a concorrer no futuro, para que a sociedade comece a adquirir a devida responsabilidade para com os destinos do seu país.

Outro ponto a ser analisado é o tal do voto de protesto, voto esse que elege os tiriricas da vida, e na verdade revela o número de idiotas em cada estado. Um cidadão bem formado, quando protesta contra um governo ou um estado de coisas, deve fazê-lo de forma a mudar as coisas com as quais não está concordando. E não vai ser dessa forma, que vai consertar as coisas erradas deste país. De acordo com os dados de organismos que estudam a composição do nosso Congresso, aumentou o número de deputados e senadores conservadores.

 Com isso, as perspectivas de mudanças nos rumos e no avanço da sociedade brasileira, ficam cada vez mais distantes, e devemos isso aos que se omitem nas eleições, aos que elegem representantes desprovidos de condições mínimas de conhecimentos gerais, que tratam o período eleitoral como se fosse uma das costumeiras galhofas que produzem na televisão.

 Enfim, só nos resta aguardar o que nos reserva a realização do segundo turno desta eleição. Após essa decisiva etapa, com a complementação do processo eleitoral, teremos uma visão mais efetiva sobre o que nos aguarda no futuro deste País.