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Ninguém merece essa baixaria

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 20/10/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Duas coisas indicam fraqueza:

calar-se quando é preciso falar,

e falar quando é preciso calar-se.”

                             (Provérbio persa)

 

Quando nos detemos a assistir um debate entre duas pessoas que pleiteiam a eleição para o cargo de Presidente de um país, o mínimo que desejamos é ouvir ofensas, e o máximo, é ouvir propostas que interessem a sociedade desse país. No entanto a baixaria, a zorra total em que foram transformados os debates em busca da eleição presidencial no Brasil, não merece de ninguém a perda de tempo em assisti-los.

E não é só nos debates que essa baixaria acontece. Seguidores de um dos candidatos resolveram utilizar as redes sociais para sugerir situações pouco republicanas do seu adversário. No troco, novas acusações baseadas em fatos que toda a imprensa vem divulgando: a corrupção na Petrobrás. Nada de propostas exequíveis, voltadas ao crescimento econômico do país, a melhora da qualidade do nosso ensino, da segurança pública, da saúde, e outros itens. Sobre cultura e esportes então, não se diz uma única palavra.

De minha parte resolvi não assistir mais nenhum desses encontros lamentáveis, porque de antemão já sei o que vai acontecer. Novas provocações, novas denúncias, novas ameaças, como a nos mostrar a falta que fazem bons programas voltados para a educação e cultura. Tenho a mais absoluta certeza que em debate próximo, um dos assuntos a serem enfocados refere-se à descoberta de militares cubanos infiltrados entre os componentes do “mais médicos”.

Não há um mínimo de sensibilidade, de humildade em reconhecer erros cometidos. Entendo que só comete erros quem tenta realizar alguma coisa, mesmo que seja um assalto aos cofres de uma empresa. Não sou futurólogo, mas antevejo tempos difíceis após essa eleição. A economia está fora do eixo, e os problemas que afligem nossa população continuam sem solução. E para solucioná-los, será necessário que os países que vem sendo beneficiados com o suado dinheiro dos brasileiros, tratem de se mexer para devolvê-lo.

Nós nunca tivemos um centavo de nossa dívida externa, perdoado por quem nos emprestou. Não temos porque perdoar a quem nos deve, principalmente quando se trata de ditaduras africanas, que não respeitam os direitos humanos, e outros regimes que povoam a América Latina. Já fomos furtados durante a colonização, persistimos nesse caminho quando governos “se entregaram” a políticas econômicas ditadas pelo FMI, e outros organismos cuja conduta é a de sangrar os países emergentes.

Queremos ouvir propostas exequíveis, que possam conduzir o Brasil a um futuro onde as necessidades mínimas da população sejam concretizadas. Fora disso, essa troca de farpas se assemelha a uma conversa de lavadeiras, com todo respeito aos que exercem tão nobre profissão. Chega de barracos, de chiliques, de conversa de “cerca Lourenço”. O povo brasileiro não merece tanta desconsideração.