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Rescaldos de uma eleição atípica

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/11/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Não precisamos apagar

a luz do próximo, para

que a nossa brilhe.”

(Gandhi)

 

Passada a realização do segundo turno para Presidente, quem ganhou festeja, quem perdeu procura encontrar os motivos que levaram a essa derrota. Daí uma série de impropérios e alegações mal elaboradas, criou nas redes sociais um embate ilegítimo e pouco edificante, senão vejamos: culpar os eleitores do norte e nordeste do país como causadores da derrota tucana, não corresponde à verdade.

Uma simples análise do quadro, vamos observar que dona Dilma teve mais votos nas regiões sul, sudeste e parte do centro-oeste, que nas regiões norte nordeste. E não foi pouca essa diferença, pois foram quase três milhões de votos.

A partir da derrota, alguns eleitores mais inflamados resolveram que São Paulo tem que se separar do resto do país. Um retorno a 1932, que todo mundo sabe como acabou. E essa ideia de jerico já se transformou em entidade, com diretoria e tudo, cuja função é lutar pela independência de São Paulo. Eu pelo menos não conheço nenhum dos figurantes dessa ínclita diretoria. Outro dado é a questão de Minas Gerais, onde o candidato tucano, pelo resultado obtido, provou que esqueceu de fazer a lição de casa.

 

E assim vários outros dados elencam essa derrota, muito embora a situação de governabilidade do País, vai dar muito trabalho à Presidente. Já tivemos a primeira amostragem, nessa derrota sofrida pelo governo na votação pela Câmara dos Deputados, do Decreto Presidencial sobre a constituição de conselhos populares. Ideia infeliz que só pode ter saído da cabeça de um incauto, apaixonado pela popularidade. Então o Congresso Nacional, formado pelas principais raposas da política nacional, iam abrir mão de suas prerrogativas? O Presidente do Senado já avisou que por lá esse Decreto também vai ser defenestrado.

Porém o que mais me chamou a atenção e me dói muito, é essa profusão de ataques aos nossos irmãos do norte e nordeste, como se fossem culpados de um crime inafiançável.

Essa destilação de ódio entre irmãos teve início muito antes do primeiro turno, quando o senhor Lula, do alto da sua ignorância, resolveu atacar a chamada “elite branca paulista”, da qual ele é um lídimo representante, pois só essa “elite branca”, se hospeda como ele, no Copacabana Palace e ingere um escocês de mais de vinte anos. Antes de tudo ele precisa responder às acusações que lhe foram feitas pelo Delegado Tuma, das quais vem se esquivando.

A verdade é que esta eleição mostrou uma grande divisão no eleitorado brasileiro. Se somarmos os votos do senhor Aécio, com os nulos, brancos e abstenções, vamos verificar que dona Dilma teve em torno de um terço do eleitorado a seu favor, o que não lhe dá um grande respaldo político.

Quantos aos que enveredaram pela linha de deixar de comparecer ao cumprimento de um dever cívico, como forma de protesto contra o governo petista, apenas um alerta. Devem ser os mesmos que durante a ditadura militar clamavam pelo direito de votar. Hoje que o conseguiram, graças à luta, suor e sangue de muitos, resolveram dele abdicar. Não têm o direito de reclamar nada no futuro que nos aguarda.