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Resta a saudade

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 10/11/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Todos estamos de visita neste

 momento e lugar. Só estamos de

passagem.Viemos para observar,

aprender, crescer, amar e voltar

 para casa.”

(provérbio aborígene)

 

Foi uma semana de perdas, para a minha família e para a cultura santista. Com o falecimento de Roberto Peres, jornalista, crítico de artes, diretor da Escola de Artes Cênicas da Prefeitura de Santos, e meu colega de curso de jornalismo, perdeu a cultura de Santos um de seus grandes expoentes. No mesmo dia perdemos também, um escultor de grande qualidade que era o Messias, que em várias oportunidades representou a cidade nas programações do Mapa Cultural Paulista.

Durante o tempo em que exerceu a editoria de artes do extinto jornal “Cidade de Santos”, Roberto Peres se transformou num ativo colaborador da produção artística de nossa região, divulgando com rara qualidade todos os eventos, comparecendo à maioria deles, compondo suas críticas, e participando de uma forma que não encontra paralelo no jornalismo santense. Dirigiu espetáculos teatrais, de dança, notadamente o evento que marcou o primeiro centenário da imigração japonesa, na saga dos que vieram para o Brasil no “Kasato Maru”, desembarcando no porto de Santos. Foi um belíssimo espetáculo.

Dirigiu também uma das edições do evento “Chegada de Martim Afonso”, que anualmente a Prefeitura de São Vicente patrocina, além de fazer parte do corpo de jurados de desfiles de escolas de samba montado pelo ICACESP. Com esta missão julgou desfiles em Santos, Franca, São Carlos e outras cidades. Foi durante muito tempo diretor do CADES, um centro de formação em artes que mantinha em nossa cidade. Ficaria monótono desfilar a quantidade e a qualidade das realizações em que esteve presente, com suas ideias e trabalhos.

Lutamos juntos pela transformação do curso de jornalismo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos, na atual Faculdade de Comunicação da Universidade Católica – UNISANTOS, uma luta da qual saímos vitoriosos. Uma luta dos membros do Centro Acadêmico Jackson de Figueiredo, que representava os alunos do nosso curso.

Com relação a minha família, a perda está relacionada a minha sogra, Dona Bina, como todos a conheciam e chamavam, de cuja companhia privei por mais de trinta anos. Mãe de minha esposa, Elisabeth, Dona Bina foi responsável também pela criação dos netos, dos quais cuidava com imenso carinho, viúva que era de Alexandre Mariani, que foi meu técnico de basquete no Clube de Regatas Vasco da Gama, e responsável pela volta da A.A.Portuguesa à divisão principal do futebol paulista, quando esse clube havia caído pela primeira vez para a divisão de acesso.

Certamente foi uma semana de perdas para a cidade, para a cultura e para nossa família, com a certeza de que no plano onde se encontram, estão em paz, nos braços da eternidade. A morte deve ser encarada com uma das coisas mais naturais do mundo, pois é realmente a única verdade dessa vida. As outras, nós construímos ao sabor dos interesses, credos, oportunidades e composição de caráter. Que descansem em paz.