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República da Bandalheira

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 08/12/2014 Colunista: Carlos Pinto

“Creio que o pecado é

realmente um mistério

tão grande como a virtude.”

 

(Charles Chaplin)

Os meios de comunicação nos afogam diariamente, com uma enxurrada de notícias sobre as falcatruas e desvios de dinheiro em empresas e órgãos do governo. Fazem, e bem, a sua parte de noticiar a falta de caráter, de ética, de honestidade, de princípios dessa quadrilha que se apoderou do país. São funcionários públicos, empresários, parlamentares e até ministros,  sob suspeita de envolvimento na bandalheira do século. Jamais se viu isso em qualquer nação do planeta terra.

 

Além dos escândalos que envolvem a Petrobrás, surge agora nova mutreta envolvendo a construção e fretamento de navios sonda, para serem utilizados na localização de campos de petróleo no pré-sal. Tem também a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – COMPERJ, onde uma multinacional sueca aparece como delatora do esquema de propinas.

 

Some-se a isso os fatos noticiados sobre a construção da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, e outra em construção no Maranhão. Mas as bandalheiras não se resumem às questões que envolvem diretamente a Petrobrás. Temos a investigação sobre a “distribuição” de mais de cinquenta mil carteiras de pescadores, e a venda de terras do governo em Mato Grosso.

 

Sobre essas carteiras de pescadores, ao que parece distribuídas antes das eleições, se verídico o fato, é mais uma contribuição para a instalação da República Nacional da Vadiagem. Para quem desconhece, há uma legislação que favorece os verdadeiros profissionais da pesca em épocas do chamado defeso. São os meses em que através de um calendário, fica proibida a pesca do camarão, ou da sardinha, ou de qualquer outro membro da fauna marítima. Durante o defeso, sem poder trabalhar, os pescadores recebem um salário por parte do governo, para manterem suas famílias. Muito justo.

 

O que não é justo  é se aproveitarem do processo eleitoral para montarem um curral junto à população com essa distribuição de carteiras fajutas, e assim amealhar esses cinquenta mil votos. Com relação às terras do governo em Mato Grosso, destinadas à reforma agrária, um bando de espertos, envolvendo prefeitos, vereadores e até, segundo o noticiário, dois irmãos do atual Ministro da Agricultura, se apoderaram de grandes lotes de terras e as estão vendendo para fazendeiros e demais interessados.

 

Enfim, caminha-se rápido para a institucionalização da República da Bandalheira, um promissor país onde as cadeias serão ocupadas por aqueles que não possuem máculas em suas vidas pessoais ou profissionais. Bandidos à solta, e honestos no cárcere. É esperar para conferir. Como diria o “Chapolin Colorado” :  quem vai nos defender?