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Pedro Simon, um homem de honra

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 20/12/2014 Colunista: Carlos Pinto

Pedro Simon, um homem de honra

“As minhas palavras deixam agora

o relento dos discursos, mas não

recorrerão ao agasalho do silêncio.

Vou soprá-las a outros ouvidos, vou

semear em outros campos férteis.”

(Pedro Simon)

 

 No último dia 10, o Senador Pedro Simon foi à tribuna do Senado Federal para fazer seu derradeiro discurso, e sua despedida de uma brilhante carreira política. Aos 84 anos de uma vida de honra e bons exemplos, Pedro Simon se afasta da vida pública sem qualquer mácula em seu currículo. Natural de Caxias do Sul, formou-se em Direito na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, tendo também graduação em Economia Política e, em Direito Penal pela Universidade de Paris.

Começou na política estudantil sendo eleito presidente do Grêmio Estudantil e da Junta Governativa da União Nacional de Estudantes. Foi eleito em 1960,  vereador pelo PTB em Caxias do Sul, e dois anos após foi eleito Deputado Estadual pelo mesmo partido, cargo que ocupou até 1978, quando foi eleito Senador pela primeira vez.

Governou o Rio Grande do Sul após vencer a eleição em 1986, sendo posteriormente eleito mais uma vez para o Senado Federal, onde cumpriu mais dois mandatos de oito anos cada. Nesta oportunidade tornou-se nacionalmente conhecido, por ter sido membro titular e coordenador da comissão que provocou o impedimento do ex-presidente Fernando Collor. É de sua lavra, juntamente com o Senador Paulo Paim, a lei que regulamentou a profissão de comerciário.

Em seu último pronunciamento, Simon teceu elogios e homenageou figuras da política nacional com as quais conviveu, políticos esses que sempre se portaram com a mesma lisura, ética e correção que abrilhantaram a carreira do Senador Simon. Católico fervoroso, Simon pediu a benção para Franco Montoro, Teotônio Vilela, Mario Covas, Jefferson Peres, Itamar Franco, Ramez Tebet e Tancredo Neves. Uma benção para Alberto Pasqualini, a quem Simon chamou de grande mestre e inspirador maior de sua trajetória política. Uma benção especial para Ulysses Guimarães, a quem classificou de maestro da cidadania de nossa Constituição.

Não seria o Senador Pedro Simon se em sua despedida apenas rememora-se figuras de honra de nossa política. Falou sobre os escândalos da Petrobrás como uma “punhalada traiçoeira”, ao tempo em que elogiou o juiz Sergio Moro que investiga as mais variadas denúncias de corrupção na referida estatal, além de elogiar o recém aposentado Ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

A política brasileira perde um de seus mais notáveis representantes nestes últimos cinquenta anos. Como diria o ex-prefeito Oswaldo Justo, Simon agiu na política como as garças, que pisam no lodo, mas não sujam as penas. Vai-se um homem de bem, que cumpriu sua missão com retidão e competência. Que seu exemplo frutifique para as novas gerações, particularmente neste momento, quando caminhamos em direção a um futuro de incertezas e de podridão social. Parabéns Senador.