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Uma só Medicina

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 21/12/2010 Colunista: Dr. Mário da Costa Cardoso Filho

O ensino médico deve ter como sua principal ação, bem formar médicos, tendo como objeto uma Medicina de qualidade, padrão e eficiência. Um conhecimento integralmente e uniformemente possível a todos nós sem qualquer distinção.

No passado, um ilustre ministro de várias pastas resolveu colocar a Medicina dentro da lei da oferta e da procura buscando baratear nossos honorários profissionais.

Entramos em um vendaval de formação de novas Escolas Médicas.

O número de profissionais formados e não sua qualidade e qualificação eram a preocupação e o objetivo. Era a retribuição de um então prepotente Ministro da Educação contra um movimento dos Médicos que tivera de enfrentar quando exercera o cargo de Ministro do Trabalho.

Os resultados desta ação irresponsável enfrentamos agora e alimentam a mídia.

Agora o prepotente Ministro da Educação (o que foi e continuará sendo) e seu ministério, com inspiração no Ministério da Saúde elaboram um decreto lei que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições que ofertam programas de residência médica.

Deveríamos imaginar que a iniciativa busca a formação de especialistas mais qualificados e melhor preparados. Preceptorias competentes e comprometidas. Garantia de que médicos residentes não sejam apenas instrumento de mão de obra barata para instituições inescrupulosas

O decreto lei não contempla estes objetivos.

Para começar, cria uma correlação de forças pró-governo que enfraquece a sociedade civil, em especial as representações médicas, e o exercício da democracia. Busca enfraquecer a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), tornando-a apenas uma espécie de órgão assessor da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação.

Chegam a afirmar que o objetivo é atender a necessidade de formar médicos para o Sistema Único de Saúde (SUS) quando o que necessitamos é de uma ação que valorize a residência médica por ser a melhor forma de treinamento e aperfeiçoamento após a graduação do médico.

É bom firmar que uma residência médica adequada e de bom nível é um patrimônio da Medicina, da Nação e de seus cidadãos. Também é fundamental para a boa qualidade de nossa medicina e seu reconhecimento a nível internacional, conquista dos Médicos, dos demais Profissionais de Saúde e da Academia e não da atuação do poder público na assistência à saúde.

Na Medicina para qual me formei e que sirvo e me dedico há quase quatro décadas, não há lugar para duas castas de profissionais:

Os primeiros com objetivo de atender aos mais carentes e servir aos objetivos governamentais; os outros para atender os que podem pagar.