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Tópicos do teatro brasileiro contemporâneo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/05/2011 Colunista: Carlos Pinto

“Um povo que não ama

e não preserva as suas formas

de expressão mais autenticas,

jamais será um povo livre.”

                                                                           (Plínio Marcos)

 

 

Grande parte dos pesquisadores do teatro brasileiro concorda com a tese que o surgimento do grupo “Os Comediantes”, no Rio de Janeiro, marca o inicio do bom teatro contemporâneo brasileiro. Muitos reivindicaram para si esta primazia de renovação da cena nacional, mas está fora de qualquer dúvida que, pelo trabalho desenvolvido e a continuidade, “Os Comediantes” fazem jus a este histórico privilégio. Seu precursor imediato nesta renovação teatral é o Teatro do Estudante do Brasil fundado por Paschoal Carlos Magno em 1938.

É certo que Paschoal também teve sua participação junto aos “Comediantes”, que reunindo amadores lançaram-se à tarefa da renovação estética das montagens teatrais no país. Como ponto principal dessa modificação, está o intérprete principal que assegurava para si todo o prestigio junto ao público nas apresentações, independentemente do texto, dos acessórios cenográficos, da direção e do restante do elenco. “Os Comediantes” transferiram para o encenador o papel de grande vedete.

Com isso, o teatro brasileiro buscava mais uma vez, já com grande atraso, a procura de experiências que já vinham sendo praticadas na Europa a longo tempo. Por essa época, Jouvet, que morou por algum tempo no Rio de Janeiro fugindo à ocupação alemã na França, mostrou que sem escolas, sem um conhecimento técnico dos problemas teatrais, não poderíamos, sozinhos, realizar tais mudanças.

Foi outro estrangeiro, fugindo da II Guerra Mundial, que aportou no Rio de Janeiro talvez por acaso, mas que hoje está definitivamente incorporado ao teatro brasileiro: Ziembinski que veio preencher esta lacuna que tanto se reclamava: a função de coordenador de espetáculo.

Com formação na escola expressionista e dominando o palco e seus segredos como poucos, alem de ser um grande mestre na iluminação cênica, no que também éramos carentes, Ziembinski, conseguiu o entrosamento dos vários itens da montagem teatral.

Os atores de nome cederam à preocupação maior que era a equipe. Cenografia e figurinos, antes tratados com descuido sem qualquer gosto artístico, passaram a ter uma confecção de acordo com as linhas da revolução modernista. “Os Comediantes” passaram a uma fase profissional, mas os fracassos financeiros alcançados por seus espetáculos acabaram por encerrar as atividades destes pioneiros.

Por sua revolução em busca de uma linguagem teatral brasileira, pagaram o preço que é cobrado a todos os inovadores e vanguardistas, que se opõem aos colonizadores. Mas passaram à história da nossa cena teatral, e serão eternamente reverenciados por todos aqueles que amam o bom teatro, e as experiências renovadoras.

 

 

NR - A associação do teatro com a política na Coluna assinada pelo jornalista Carlos Pinto é evidente e tem suas razões que por enquanto precisam ser mantidas à boca pequena