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A lavanderia Petrobrás e Richard Burton

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 27/02/2015 Colunista: Carlos Pinto

“Aquele que mais estima

o ouro do que a virtude,

há de perder a ambos.”

(Provérbio zen)

Nada disso que você está pensando caro leitor, o ator Richard Burton não está envolvido na maracutaia da Petrobrás. Trata-se de um homônimo, diplomata, que foi cônsul da Inglaterra em Santos, no início do século passado. Já escrevi um comentário sobre ele e suas atividades extra consulares. Esse Burton, que era geólogo de formação profissional, aproveitava suas folgas e o pouco trabalho no consulado, para fazer pesquisas pelo litoral brasileiro.

São dele os primeiros estudos sobre a existência de um lençol petrolífero no litoral brasileiro, bem como o detalhamento de um veio de xisto betuminoso que se inicia no Paraná ou Santa Catarina, e vem até o Vale do Paraíba, em São Paulo. Portanto, algumas estórias que circulam sobre a descoberta do pré-sal, que foi A ou B, ou o partido X ou Y, não passam de balela.

Como agora a culpa de tudo que acontece na Petrobras é do FHC, tenho certeza que o cumplice dele é o Richard Burton, geólogo. A verdade é que a bandalheira neste país chegou a tal ponto, e tem tanto malandro envolvido, que o momento é como se diz na gíria: de tirar a bunda da seringa. Daí existe uma enxurrada de delações premiadas, onde na tentativa de não ir sozinho para a masmorra, uns entregam os outros de bandeja.

Se essas patifarias todas foram iniciadas durante o governo do FHC, logo saberemos, e tenho certeza que de delação em delação, vai aparecer o principal culpado de tudo: Getúlio Vargas, o criador da Petrobras. Mas, brincadeiras à parte, está mais que na hora de se passar este País a limpo. Não dá mais para sustentar tanto vagabundo, roubando descaradamente, mentindo com a cara mais deslavada do mundo, e nós aqui, o povo, posando de palhaço.

Ministro de um governo que está na berlinda, não pode fazer reunião secreta com advogados de empresas envolvidas até o pescoço nessa nojeira toda. É aquela frase de um texto teatral muito conhecida: “a mulher de César é honesta, mas precisa parecer honesta”.

Nem o carnaval escapa nesse emaranhado de pilantrarias. Com um enredo estranho sobre um país africano que se mantem sob uma ditadura cruel há quase quarenta anos, a dona Beija Flor mordeu dez milhões do ditador dessa nação, cujo povo vive na maior miséria do mundo. E não adianta justificar, como o fez o cantor Neguinho da Beija Flor.

Está faltando muita vergonha na cara, e não é só dos governantes. Boa parcela da população precisa tomar atitudes, a começar por cumprir a legislação vigente, se comportar como humanos, e adotar a decisão de que tudo precisa mudar. Ninguém aguenta mais tanto bandido à solta, cometendo as barbaridades que a imprensa estampa, e o nosso Código Penal permanecer sem uma reformulação. Penas mais severas e até prisão perpétua para determinados casos.

Mas para que isso ocorra, cada qual tem que se conscientizar de que as leis existem para serem cumpridas, antes que alguém resolva essas pendencias de uma forma pouco republicana.