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O Museu da Tam e a Fazenda Monjolinho

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 16/03/2015 Colunista: Carlos Pinto

“Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de

expressão mais autenticas,

jamais será um povo livre.”

(Plinio Marcos)

 

Estive em São Carlos no começo deste mês, para uma reunião do ICACESP, e aproveitei a oportunidade para mais uma visita à Fazenda Santa Maria do Monjolinho, criada em 1850. Há uma ligação afetiva com essa fazenda, pois foi lá, que a Câmara Municipal de São Carlos me entregou o título de Cidadão Sancarlense, e acima de tudo, pela amizade criada com a família Malta, proprietária do lugar.

Tombada pelo CONDEPHAAT, a Santa Maria preserva suas características originais do século XIX, tendo como seu primeiro proprietário a família do Major José Inácio. Mas desde 1904, passou para a família Malta Souza Campos, onde está conservado o acervo do Professor Dr. Ernesto de Souza Campos, um dos fundadores da USP – Universidade de São Paulo.

Possui um museu de educação patrimonial, com tudo catalogado, preservando objetos, livros, fotos e farta documentação da história do século XIX. Na antiga estação ferroviária da fazenda, há um restaurante que aos finais de semana e feriados, oferece um farto almoço, delicioso e privilegiado pela natureza do lugar.

Dentro de um programa de educação ambiental, oferecem visitação de uma área de mais de vinte alqueires de mata totalmente preservada, com árvores catalogadas, onde podem ser vistos animais e aves de nossa fauna, tais como: quatis, macacos, e até onças pardas, além dos jacarés que habitam um lago dessa área de mata preservada.

Esta que foi uma das mais importantes fazendas de café do País, com 600 alqueires, hoje planta cana de açúcar e fornece leite para uma empresa do setor, em torno de 30 mil litros por mês. Mas a Santa Maria do Monjolinho está merecendo uma atenção maior por parte dos governos estadual e federal, no que tange à sua preservação. Não apenas dos imóveis, mas também do seu acervo, de seu mobiliário original feito em pinho de Riga, todos importados, bem como as louças e pratarias originais da época de sua fundação.

A senzala, a tulha de beneficiamento do café e os troncos onde os escravos eram açoitados, além de todo o mobiliário utilizado por eles, precisam de conservação e manutenção. A fazenda recebe excursões de estudantes e precisa estar em ordem para atender as futuras gerações do país, que lá vão para estudar e aprender sobre a história do café no Brasil.

Por outro lado, tive uma notícia triste, se realmente ocorrer a mudança do Museu da TAM para a Capital. Nosso interior já tem pouca coisa para mostrar aos visitantes, e o Museu da TAM é um dos mais importantes equipamentos da cidade de São Carlos e do interior paulista. Espero que tal não ocorra, pois a cultura do nosso interior já vive abandonada pelo Estado.

É hora de a população sancarlense tratar de se movimentar para manter este patrimônio cultural em seus domínios. Sua Câmara Municipal e suas forças vivas precisam adotar uma postura em favor da permanência do Museu da TAM na cidade, caso realmente tal notícia se confirme. De minha parte, estou pronto para engrossar essa luta.