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A volta do PX do caminhão

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 26/03/2015 Colunista: Carlos Pinto

Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, eclodiu uma greve dos caminhoneiros que parou boa parte do país. Era Ministro o senhor Eliseu Padilha, que hoje ocupa outro ministério no governo de Dilma Roussef. O atual, Antônio Carlos Rodrigues, ex-vereador paulistano, cupincha de Waldemar da Costa Neto, da mesma forma que Eliseu Padilha, subestimou as informações de que os caminhoneiros iam parar o País, e também subestimou o PX dos caminhões.

Todos os senhores sabem o que é o PX, aquele rádio comunicador que os caminhoneiros usam para trocar informações entre si. E mais uma vez o referido PX funcionou para deflagrar uma greve de tão ou maiores consequências que a realizada durante o governo de FHC. A diferença é que no governo do tucano, houve diálogo e aceitação das reivindicações desses trabalhadores que transportam as riquezas produzidas no Brasil.

No governo atual, cheio de mágoas e incompetências, falta o diálogo, e por ordem de alguém, andaram descendo a borracha nesses operários das nossas estradas. Além do aumento dos preços dos combustíveis, do arrocho salarial, da contenção dos preços dos fretes, do corte de vantagens trabalhistas, sobrou essa solução: descer o cacete nos grevistas.

Isso é uma mostra da falta de comando, em um governo cada vez mais acéfalo, que está provocando uma derrocada na economia do Brasil, e que só encontra soluções no aumento de impostos. Vivemos uma nova derrama idêntica aos tempos coloniais, o que compromete o futuro de nossa sociedade e, consequentemente, do País. Milhares de empregos foram perdidos em janeiro deste ano, num desemprego que vem se acentuando desde o final do ano recém findo.

Aumentos dos combustíveis, aumento da energia elétrica, aumento dos juros e outros aumentos que se refletem diretamente no dia a dia da população. Tudo que a candidata apregoou na campanha que jamais seria feito, está sendo jogado no lombo do povo. O País aumentou a sua dívida externa, que nuca foi paga como mentiram no passado, além da questão da dívida interna que está na beira do impagável. Não há dinheiro para nada, pois cortaram as verbas da Saúde, da Educação e outras mais.

Mas não cortaram os cartões corporativos, essa farra do boi com que os membros do governo realizam verdadeiras gastanças. O mesmo com relação aos membros do Congresso Nacional, que aprovaram o aumento de seus salários, criaram o bolsa aero moça, para que as esposas e esposos dos dignos representantes do povo, possam viajar com as passagens pagas por nós, além de estarem inventando a construção de um anexo na Câmara dos Deputados, que vai custar um bilhão de reais.

Um anexo completo, com shopping e restaurantes para que os nossos representantes possam usufruir de mais essa mordomia.   Quanto ao povo, como diria o personagem Justo Verissimo, “esse que se exploda”, até o dia em que a casa cair. Lembro que no início dos anos setenta foi uma greve de caminhoneiros que provocou a queda do governo chileno. E quem não conhece sua própria história, tende a repetir os mesmos erros. É o que está acontecendo neste Brasil de meu Deus.