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O desmanche da cultura paulista

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/03/2015 Colunista: Carlos Pinto

“Não devemos ter medo dos

confrontos. Até os planetas

se chocam e desse caos,

nascem as estrelas.”

(Charles Chaplin)

 

Sei que não sou pessoa grata aos atuais mandatários oficiais da cultura paulista. Nem faço questão de ser, pois pior que a corrupção que grassa neste país, é a incompetência e a falta de vontade de trabalhar pelo povo. Sempre que eles me fornecem uma oportunidade, uso este espaço para a crítica construtiva, na esperança de que alguma coisa seja mudada. Mas chego à conclusão de que a mudança que os produtores culturais preconizam para uma política cultural decente, está longe de ser alcançada.

A política cultural (sic) desenvolvida pelos vários governos tucanos instalados no Palácio dos Bandeirantes está a quilômetros de distância daquilo que realmente é necessário. Há um enfoque equivocado, pois não compete ao governo, determinar aquilo que o povo deve ver  mas sim, amparar a produção cultural que emana desse mesmo povo. A isso chama - se democracia.

Eis que agora, em mais um duro golpe contra o interior paulista, há uma determinação de fechamento de nove oficinas culturais, seis das quais sediadas em cidades como Bauru, Araraquara, São João da Boa Vista, Campinas e Araçatuba. Na Capital haverá o fechamento de mais quatro, das quais duas já estão sem funcionar a algum tempo, como é o caso da Mazzaropi e Agua Branca. A Vila Brasilândia e São Miguel Paulista, também terão suas portas cerradas.

Com o corte em torno de 13 milhões de reais no PROAC, e de 30% nas verbas da POIESIS, organização social contratada para cuidar dessas oficinas, não restou aos gestores da referida OS, senão tratar de ir fechando as referidas. Fala-se também que vários museus serão atingidos nesses cortes, o que na verdade representa um desmanche na cultura paulista.

O que se observa dessa política tucana para com a produção cultural, pode ser encontrada também nas prefeituras por eles administradas, onde a cultura é tratada como lixo. Salvo aqui o ex-prefeito de Franca, Sidnei Rocha, que sempre tratou a produção cultural de sua cidade como artigo de primeira qualidade, o que pode ser visto pela vasta obra realizada. Já o atual, como outros que por aí andam, ainda não disseram ao que vieram.

Por último minhas homenagens ao ator Lima Duarte, que está completando 85 anos de vida, com mais de 50 deles dedicados ao teatro, cinema, circo e televisão. Acima do grande ator que é, tem uma vida pautada pela ética, correção de atitudes e princípios. Nunca esqueceu sua terra natal, Desemboque, vila do município de Sacramento, em Minas Gerais. A dignidade de suas ações, faz falta a muito político que assume cargos apenas pelos salários e algum PF que possa surgir, até o dia em que uma operação Lava Jato da vida, o coloque atrás das grades. Vida eterna a Lima Duarte, um exemplo a ser seguido.