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Os maus exemplos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/05/2015 Colunista: Carlos Pinto

“Não existe vento favorável

para o marinheiro que não

sabe aonde ir.”

(Sêneca)

 

Existem claras evidências que o Governo Federal é composto por uma equipe de burocratas, totalmente despreparados. E para compor este quadro de insolvência que o país atravessa, há o sempre presente desgaste motivado pela corrupção reinante no seio da classe política, em conluio com funcionários desonestos e sempre prontos a participar de malandragens e patifarias.

Some-se a isso os maus exemplos que figuras públicas despejam diariamente na mídia. É o caso do ex-presidente Lula, com suas declarações carregadas de ódio, procurando criar um clima de luta de classes, luta essa totalmente desnecessária neste momento da vida nacional. Lula sempre foi muito mais palanqueiro, que propriamente um diplomata ou um estadista. Se hoje figura como suspeito em todas essas denúncias de corrupção, culpa lhe cabe por deixar seus “amigos” fazer o que fizeram.

Isso não dá o direito ao Ministro da Justiça, segundo matérias que correm na imprensa, de ter determinado uma investigação sigilosa contra membros da Polícia Federal, do Ministério Público e até do Judiciário, que trabalham no levantamento das fraudes e furtos ocorridos na Petrobrás, origem da Operação Lava Jato. É tentar mascarar a verdade, já delatada por uma série de empresários e funcionários da referida empresa. É tentar que a água não chegue ao pescoço de influentes personagens da política nacional.

Outro mau exemplo vem da Câmara dos Deputados. Num momento de crise financeira, quando o governo corta bilhões de reais de programas sociais e de investimentos, provocando o desemprego em massa, o fechamento de indústrias e casas comerciais, querem esses senhores congressistas construir um novo anexo cujo complemento principal será um shopping. Ao custo de um bilhão de reais, a referida obra foi aprovada pelo plenário.

E seguem-se os casos que envolvem prefeitos, membros de legislativos municipais, governos estaduais, que a imprensa não cansa de divulgar. Há os casos que envolvem organizações sociais contratadas para realizar serviços, cuja responsabilidade seria dos governos, envolvidas em denúncias de incompetência e corrupção. É lamentável que as grandes manchetes jornalísticas estejam voltadas para este tipo de atuação. Não há um setor governamental que esteja imune a esta epidemia que corrompe e apodrece o tecido social brasileiro.

Enquanto isso cresce a criminalidade, o assassinato banal, o envolvimento de menores com a marginalidade, pois, quem deveria dar bons exemplos não o faz, e com isso a população honesta, trabalhadora, está indefesa e assustada, pois não sabe a quem ou a que recorrer. Tempos sombrios, como diria Brecht, em que falar de coisas inocentes é quase um delito, e implica em silenciar sobre tantos horrores.