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Os novos adoradores do nazismo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 07/07/2015 Colunista: Carlos Pinto

“Hoje sei muito bem que nada

na vida repugna tanto ao homem,

do que seguir pelo caminho

que o conduz a si mesmo. ”

(Hermann Hesse)

 

Há algum tempo venho analisando o comportamento das pessoas nas redes sociais, no que tange aos aspectos culturais, educacionais e em função desses componentes, as opiniões que emitem. Opiniões que em certos comentários, trazem em seu bojo sentimentos pouco humanos, prepotentes, racistas e perniciosos a uma boa convivência entre seres humanos. Alguns se comportam como novos adoradores do nazismo, sem talvez jamais atinarem para o mal causado por esse regime, que assassinou, torturou e despojou de seus bens, a milhões de pessoas.

 

Se hoje o Brasil é um país onde existem grandes colônias de estrangeiros de vários países europeus, devemos ao extermínio em massa propiciado pelos nazistas durante a segunda guerra mundial. Procurando salvar suas vidas, emigraram para nosso país que os acolheu e lhes proporcionou uma nova oportunidade, principalmente de viver em paz. Com eles veio a sua cultura, suas danças típicas, sua música, teatro e a vivência adquirida em nações mais antigas que a nossa.

 

Nosso teatro sofreu um avanço, deixando de ser mero repetidor de montagens francesas, com o trabalho desenvolvido por Ziembinski, Ruggero Jacobi, Maurice Vaneau, Adolfo Celli, entre outros. Da mesma forma o cinema brasileiro, através da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, avançou na produção e na qualidade dos nossos filmes. Nossa literatura dramática passou a se preocupar mais com assuntos nacionais, e surgiram grandes dramaturgos, tais como: Nelson Rodrigues, Dias Gomes, Jorge Andrade e tantos outros.

 

Ocorre que todo esse avanço cultural afetou pequena parcela da nossa população, com a maioria pouco afeita a leitura e a frequentar teatros e galerias de arte. E essa falta de cultura está hoje explicita em nossas redes sociais, com cidadãos expondo ideias ridículas, criminalizando quem não pensa como eles, e deixando um rastro de ódio e desamor em suas agressões racistas, contrarias aos avanços do chamado mundo moderno.

 

Este recente episódio em que uma jornalista da Globo foi atacada gratuitamente, é um exemplo claro destes novos nazistas. O fato dessa jornalista ser negra, para esses crápulas, é mais significativo que sua beleza, sua competência e o fato de ser uma grande profissional. Maju, como é conhecida Maria Julia Coutinho, sofreu graves ofensas por parte de alguns desses idiotas, apenas pelo fato de ser negra.

 

É de se esperar que o Ministério Público identifique essa malta e os processem de acordo com nossa legislação. É de se esperar que os frequentadores das redes sociais expurguem de suas listas, a convivência com estes tipos, para que não sejam no futuro, confundidos como coparticipantes dessa seita de adoradores do ódio e da desunião. Somos todos Maju. Somos todos aqueles cuja cor, sexo, religião ou ideologia, sofram ataques pouco condizentes com a educação e o respeito que o ser humano merece.