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Cultura: a contínua omissão do Estado

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 13/07/2015 Colunista: Carlos Pinto

“Cuidado com o medo;

Ele adora roubar sonhos”

(DA)

Mais uma vez sou obrigado a tecer críticas ao trabalho desenvolvido pela Secretaria de Cultura do Estado. Diria até que estas críticas são pela falta de trabalho, de interesse em criar e em participar de atividades desenvolvidas por produtores e Prefeituras do interior do Estado. Que me perdoe o atual Secretário, mas sua atuação vem sendo sofrível, amorfa e totalmente contrária aos interesses da cultura paulista.

 

Esta semana, após ter dado a palavra que o Estado participaria da 22ª. Edição do FENTEPP – Festival Nacional de Teatro de Presidente Prudente, informou aos organizadores que a Secretaria não mais participaria do evento. É preciso que se repita que este Festival, foi considerado no exercício passado, como o de melhor edição em todo o País. Ocorre que o certame já está organizado, com espetáculos escolhidos, datas marcadas e vários compromissos assumidos.

 

É certo que a Prefeitura de Presidente Prudente vem contando com o apoio e participação do SESC, nas últimas edições, e que mais uma vez, cumprindo a palavra, estará na organização do certame. Mas quando se planeja um evento desta natureza, uma das primeiras ações é a procura de parceiros com a finalidade de cumprir o cronograma de ações, inclusive as financeiras. Agora, se você cumpre estas etapas e na hora de abrir as cortinas um dos parceiros acertados sai de fininho pela porta dos fundos, a coisa se complica.

 

E esta é a atitude do Estado, através da Secretaria de Cultura, que pouco produz, que trabalha de costas para o interior paulista, e só tem olhos e verbas para sustentar as ONGs lá encasteladas há anos. Esta atitude do Estado poderá inviabilizar a realização do 22º. FENTEPP, o que será lamentável para o teatro e a cultura paulista, principalmente para o nosso interior. Essa saída pela porta dos fundos, chega a ser uma atitude irresponsável em termos de gestão cultural, e confirma a falta de sensibilidade, coerência e cuidados para com a produção cultural de nosso Estado.

 

O Senhor Secretário precisa deixar a comodidade do seu gabinete, levantar a bunda da sua macia cadeira, e tratar de realizar alguma coisa, pois até hoje não disse ao que veio. Em recente encontro com artistas de Santos, realizado no Teatro Guarany, para discussão de propostas para o imóvel da antiga Casa de Câmara e Cadeia, entrou mudo e saiu calado. Ou seja: não trouxe qualquer proposta, não aceitou e nem rejeitou as que foram apresentadas. Em suma: um inútil.

 

Vou deixar para outra oportunidade, o que seu Secretário Adjunto deixou transparecer em recente reunião realizada na cidade de Oswaldo Cruz, porque realmente é inadmissível. Mudar é preciso, e o Governador Alckmin precisa definir mudanças nessa Secretaria, além de uma política cultural que privilegie as produções alternativas, notadamente as que se concretizam em nossas cidades do interior. Gestão lamentável, senhor Marcelo Araújo. Seja coerente e peça para sair.