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Descartando os valores humanos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 13/06/2011 Colunista: Carlos Pinto

 

“Se os brasileiros desonestos

voassem, nós nunca veríamos

o sol.”

(DA)

 

Existem valores humanos que se tornaram totalmente descartados em nossa sociedade, principalmente nos meios políticos, culturais, educacionais, entre outros. Os recentes episódios da vida nacional são exemplos vivos de que ética, honestidade, decência e caráter, estão sendo definitivamente descartados da sociedade como um todo.

São escândalos envolvendo membros dos governos, seja o federal, os estaduais e os municipais, como é o caso do que está ocorrendo em Campinas, é o avanço da criminalidade com a participação de vários policiais em quadrilhas de assaltantes, é a questão que envolve o famoso kit gay que o MEC pretendia distribuir nas escolas públicas.

Grassa a impunidade e cada qual faz o que bem entende, passando por cima das leis e das virtudes que deveriam acompanhar os atos humanos. Não há mais limites para tanto despudor, tanta cara de pau, enquanto a população atônita a tudo observa sem qualquer atitude prática de condenação a estes desmandos.

De certa forma a história se repete. Lá pelos anos 450 a.C. o senado grego também andava as voltas com uma serie de atitudes de alguns de seus membros, atitudes essas pouco edificantes.

 Ésquilo, dramaturgo e senador  sentia-se pouco à vontade em compartilhar esse espaço com alguns de seus colegas, e sentia-se impotente perante os desmandos que ocorriam, e as desgraças que se avizinhavam. De acordo com sua forma de pensar, só um Estado forte e apoiado em si mesmo e na força da sociedade, ostentaria condições de passar ao largo das tempestades e escândalos.

Entendia que alem disso, sob a proteção de um exército bem equipado e muito bem treinado, poderia o povo grego dedicar-se às obras da paz entre os povos, da fraternidade, da igualdade, através da concepção de leis mais justas e sociais. Dedicar-se a programas culturais onde a arte popular pontificasse, além de um grande incentivo às pesquisas cientificas.

No Brasil de hoje inexistem políticas para a segurança pública, para a agricultura, para a saúde pública, para a educação, meio ambiente e demais setores da sociedade. Para a cultura então a coisa raia à canastrice, com gente que não precisa recebendo benesses governamentais, e os que realmente precisam dessas leis de incentivo sendo marginalizados cada vez mais. São projetos lançados como factóides, onde todos se inscrevem e nada acontece.

Na luta pelo poder e seus benefícios, vale tudo. Negociam-se cargos como em uma feira de gado, enquanto o povo desvalido continua à mercê das intempéries. Nossas fronteiras são totalmente desguarnecidas, e por elas entra todo tipo de contrabando, seja de drogas, seja de armas, e governantes vizinhos promulgam leis para proteger os carros brasileiros roubados e para lá contrabandeados por nossas vulneráveis fronteiras. Parece que a única coisa que vai bem por aqui, é a cobrança de impostos, que nos faz lembrar os tempos da derrama. Ao que parece, do jeito que a coisa caminha, teremos que ter vergonha de ser honestos,  tal qual previu o eminente Rui Barbosa.