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A morte do rio que era doce

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 27/11/2015 Colunista: Carlos Pinto

A morte do rio que era doce

 

O rio era Doce, mas a Samarco é amarga, devoradora de bens naturais, de caráter de homens que vem corrompendo ao longo dos anos em que se instalou em Mariana, patrocinando candidatos em várias eleições. É uma empresa que traz em sua arquitetura, não apenas a Vale do Rio Doce, mas também a famigerada BHP, uma empresa anglo-australiana, que já cometeu os mais variados crimes ambientais. E ao que parece, segundo notas na imprensa, outras empresas fazem parte deste conglomerado, entre elas o Bradesco e a Globo Par.

Cantado em verso por Carlos Drummond de Andrade, e imortalizado nas fotos de Sebastião Salgado, o Rio Doce levará muitos anos para tentar se recuperar deste desastre ambiental. Várias espécies de peixes, nativos desse rio, praticamente estão extintas, e enquanto o Governo dorme em sua indolência e falta de capacidade de adotar atitudes corretas, o Judiciário tratou logo de conceder uma liminar ao presidente da Samarco, para evitar sua prisão.

Mas a mesma agilidade do Judiciário verificada neste episódio do Rio Doce, parece que não está sendo observada em outro episódio ocorrido há sete anos, em uma barragem na construção de uma usina hidroelétrica em Rondônia, nas cercanias da cidade de Vilhena. Um acidente que detonou mais de mil e trezentos hectares de mata nativa, além da fauna, em uma área de preservação permanente.

O mais interessante, é que a construtora responsável, Schahin Engenharia, é a mesma envolvida na operação Lava Jato. E para se isentar de culpa, essa empresa acusa falhas no projeto, e também acusa o Deputado Eduardo Cunha, Presidente da Câmara Federal, de ser seu perseguidor. E vai mais longe: diz que o senhor Lúcio Funaro, operador financeiro da Central Elétrica Belém, dona do empreendimento, é ligado ao referido Deputado Cunha.

Órgãos ambientais aplicaram multa de cem milhões de reais, que até o momento, sete anos depois, ainda não foi paga. Isto para ilustrar o que deve ocorrer com este desastre ambiental que atingiu o Rio Doce, e que deixou milhares de moradores das cidades situadas em suas margens, sem qualquer condição de continuar a utilizar a agua desse rio, e também liquidou com o trabalho de centenas de pescadores.

E a lama tóxica continua seu curso e está em vias de chegar ao oceano, onde por certo, causará danos maiores em Abrolhos e vizinhança. Muito embora estejam sendo adotadas medidas para conter essa lama, creio ser quase impossível evitar danos ao sistema marinho. Em todo este episódio, a nossa Ministra do Meio Ambiente levou uma semana para sair de sua confortável cadeira no Ministério, e chegar até o local do acidente para verificar a extensão dos estragos.

Quando será que teremos um governo que tenha atitudes? Ação e pensamento devem andar unidos. Não adianta elogiar governantes como os da China e Coreia do Norte, e não ter as mesmas atitudes que esses governos teriam, nos casos acima expostos. Lá ninguém brinca com o Estado. Todos os responsáveis já estariam identificados e devidamente punidos exemplarmente.