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Brasil: a própria nau dos insensatos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 22/12/2015 Colunista: Carlos Pinto

“A vitória obtida através

da trapaça, é muito pior

do que a derrota.”

(Jigoro Kano)

Como diria minha avó se viva estivesse, o País está de pernas para o ar. O encaminhamento da questão do impedimento de nossa Presidente, pelo Deputado Eduardo Cunha, abriu uma guerra sem precedentes no atual cenário político brasileiro. Este deputado, que também é investigado, vem sendo questionado pelos defensores da Presidente, mas na verdade ele apenas deu guarida a um trabalho jurídico de primeira linha, de um dos nossos mais renomados juristas e fundador do PT, Dr. Hélio Bicudo. Chamar esse jurista de golpista é um passo além da eternidade.

A devassa que a Operação Lava Jato vem fazendo na Petrobrás e em outras instâncias governamentais, não deixa qualquer dúvida quanto ao estado de calamidade instalado no seio do governo, onde autoridades de todos os tipos vão aparecendo como gatunos juramentados. E isso se espraia a governos antes do PT. Até hoje não se tem uma definição sobre aqueles trezentos milhões de dólares depositados em uma conta nas Ilhas Cayman. Como tudo neste País, tal assunto saiu das manchetes e está recolhido ao sono eterno do esquecimento. E não era governo petista.

Com relação aos desmandos e ilicitudes que vem sendo praticadas no Governo Federal, os mesmos não estão afetos somente ao Executivo. Nosso Legislativo embarcou nessa canoa furada e na grana fácil proporcionada por funcionários inescrupulosos, em conluio com governantes e empresários da pior qualidade moral. Mas essa bandalheira está espraiada por todo o Brasil, pois é raro o dia em que prefeitos e vereadores não são apanhados em maracutaias dos mais diversos matizes. E junto com eles aparecem governadores e deputados das câmaras legislativas estaduais. Enfim, a bandalheira está generalizada.

E além da gatunagem desenfreada, temos também os atos de inequívoca incompetência como é o exemplo dado pelo Governador de São Paulo, ao tentar uma reorganização do ensino na base do cassetete. Não lhe passou pela cabeça e nem de nenhum de seus aspones, que antes seria de bom tom discutir o assunto com diretores de escolas, professores e representantes dos alunos. Em qualquer democracia é a melhor forma de se agir. Não estou entrando no mérito de que tais mudanças viriam melhorar o sistema educacional paulista, ou não. Mas agir de forma arbitrária e truculenta, só acirra os ânimos e produz problemas intermináveis.

Obrigado a dar uma recueta, fica o Governador em situação de desgaste pessoal, dando adeus a qualquer pretensão de galgar a Presidência da República como era seu objetivo. Perdeu a parada, perdeu o seu Secretário de Educação, ficando com o abacaxi para ser descascado. Enquanto isso, com tais assuntos para fazer a delícia da imprensa sensacionalista e chapa branca, o crime ambiental cometido pela Samarco vai desaparecendo das manchetes. Pobre país, pobre povo que vê seus sonhos naufragarem nessa nau de insensatos.