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Paschoal Carlos Magno: não ao esquecimento

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 23/01/2016 Colunista: Carlos Pinto

“Por sua vida curta e

generosa, hoje deveria

ser feriado nacional.”

(Carlos Drummond de Andrade)

 

O último dia 13 de janeiro, marcou os 110 anos de nascimento de Paschoal Carlos Magno, o maior incentivador cultural deste País. A data passou batida e não vi em nenhum órgão da imprensa brasileira, qualquer notificação sobre a data. Filho de imigrantes italianos, iniciou sua carreira no teatro como ator, em 1926, atuando na peça “Abat-Jour”, e a partir de 1928 iniciou-se na crítica teatral e literária. Formado em direito, logo iniciou uma campanha para coletar fundos visando a construção da Casa do Estudante do Brasil, que foi inaugurada em 1937, e até hoje faz parte do cenário carioca.

Em 1930 recebeu seu primeiro prêmio pela Academia Brasileira de Letras, por sua peça “Pierrot”, cuja montagem esteve a cargo da companhia de Jaime Costa. Em 1946 teve seu texto, “Tomorrow Will Be Different”, encenado em Londres e outras capitais e cidades da Europa, obtendo boas críticas. Através do Teatro do Estudante do Brasil, que havia fundado, partiu para a montagem de “Hamlet” de Shakespeare, em 1948, com direção do alemão Hoffmann Harnisch, espetáculo que revelou o grande ator Sergio Cardoso. Já em 1949 cria o Festival Shakespeare no Rio de Janeiro, com a encenação de “Romeu e Julieta”; “Macbeth” e “Sonho de uma noite de verão”.

Com o Teatro do Estudante do Brasil realiza em 1952 uma excursão pelo norte do País, e difunde a criação de vários teatros de estudantes no norte e nordeste do Brasil, semente que mais tarde se traduziria na realização de vários Festivais Nacionais de Teatro de Estudantes. O primeiro realizado em Recife, onde reuniu mais de 800 participantes, tendo realizado o segundo em Santos, onde revelou Plinio Marcos, José Celso Martinez Correia, Etty Fraser, Carlos Queiroz Teles, Renato Borghi e tantos outros artistas, alguns dos quais ainda brilham nos teatros do País.

Em 1964, com a entrada do regime de exceção, foi afastado da carreira diplomática, e em 1974 inicia o projeto da Barca da Cultura, que desceu o Rio São Francisco, a partir de Pirapora até Juazeiro.

Sua última grande realização foi a criação da Aldeia de Arcozêlo, em uma antiga fazenda de Paty do Alferes, que pretendia transformar em uma Universidade das Artes. Seu projeto nunca recebeu o necessário apoio dos órgãos culturais brasileiros, e recentemente teve seu espaço interditado pelo Ministério Público Federal, pois seus imóveis estão em ruínas. Paschoal Carlos Magno é também Cidadão Santista, através de propositura do então vereador Odair Viegas, aprovado pela Câmara Municipal de Santos.

Boa parte do meu conhecimento na área das artes cênicas devo a ele, a quem sou muito grato pelas oportunidades que me criou, razão pela qual, através destas recordações, presto minha homenagem a este homem que trabalhou para tirar o País das trevas do obscurantismo cultural.