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Umberto Magnani: um talento eterno

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/04/2016 Colunista: Carlos Pinto

Umberto Magnani: um talento eterno

“Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de

expressão mais autênticas

jamais será um povo livre. ”

(Plinio Marcos)

 

Tenho perdido vários amigos ao longo da vida, amigos como irmãos que essa mesma vida me proporcionou. Recentemente mais um partiu para a chamada vida eterna: Umberto Magnani. O conheci na segunda metade dos anos sessenta, ainda aluno da Escola de Arte Dramática da USP, recém-chegado da sua Santa Cruz do Rio Pardo, com o País vivendo o início da revolução de 64. Estávamos iniciando as atividades da Confederação de Teatro Amador do Estado, cujas metas principais eram o Festival Estadual de Teatro Amador, o Congresso do Teatro Amador Paulista, e os cursos de formação de atores que eram realizados em várias cidades do interior paulista.

Tão logo se formou na EAD começou sua carreira profissional, e entre suas atividades estava a realização de palestras e cursos pela Comissão Estadual de Teatro, além da participação em comissões julgadoras do Festival antes mencionado. Tornou-se uma figura participativa do movimento teatral amador paulista, graças a sua humildade, seu talento e sua forma de comunicação com os amadores paulistas, origem de seu amor pelo teatro.

Além de ter ocupado a Secretaria de Cultura e Turismo de sua cidade natal, foi também diretor regional da Fundação Nacional de Artes Cênicas, órgão do Ministério da Cultura, diretor da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo, e presidiu a Comissão Estadual de Teatro, da Secretaria de Estado da Cultura, além de outros cargos e atividades em setores das artes cênicas de São Paulo.

Recebeu, em função do seu trabalho teatral, alguns prêmios, entre eles o Troféu Mambembe e o Prêmio Moliére, por seu trabalho em “Lua de Cetim”, obra de Alcides Nogueira Pinto, autor e diretor de Botucatu, onde militou no teatro amador. Anteriormente já havia feito sucesso por seu trabalho em “O Santo Inquérito”, de Dias Gomes, em uma produção de Regina Duarte, que no I Festival Estadual de Teatro Amador recebeu o prêmio de melhor atriz, representando a cidade de Campinas.

Participou de vários filmes e telenovelas, além de seriados produzidos pela Rede Globo. Morreu, após sentir-se mal, quando se preparava para gravar mais um capítulo da novela “Velho Chico”, onde desenvolvia com muita naturalidade o personagem do Padre Romão. Mas um dos seus grandes trabalhos, foi ter contribuído com seus conhecimentos, sua capacidade de transmiti-los, durante os vários cursos que ministrou em várias cidades, para os amadores teatrais.

Fez uma legião de amigos e admiradores, também em função do seu jeitão simples, humilde, característico do homem do interior, que nunca se esquece de suas raízes. Ficam as recordações da sua ironia e do seu bom humor, atributos que nunca o deixaram resvalar para a prepotência e a falta de humanidade. Perdemos um amigo. Quantos outros existirão como ele?