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Os novos tempos das passeatas

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 20/06/2011 Colunista: Carlos Pinto

“Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim,

a negligência do camponês.”

(provérbio zen)

Durante os chamados anos de chumbo, várias passeatas foram realizadas por este Brasil de meu Deus. Tinham a finalidade de conscientizar o povo a lutar pela volta da democracia, o fim da tortura e da censura que se abatia sobre a produção cultural do país.

 Eram atos verdadeiros sobre a liberdade de expressão, e das liberdades individuais. Nesse período, indicado pela Confederação de Teatro Amador do Estado, eu fazia parte da Comissão Estadual de Teatro, então presidida por Cacilda Becker.


            
Todas às vezes que se marcava uma passeata para São Paulo, Cacilda telefonava ao Governador Abreu Sodré e colocava nossos cargos à disposição, pois iríamos participar do evento. Ele nunca aceitou nossas demissões e nós participamos em todas, ao lado de Sergio Ricardo, Juca de Oliveira, Plínio Marcos e tantos outros artistas envolvidos nesse movimento.

Havia um motivo para essa movimentação, um motivo alem dos desejos e interesses de caráter pessoal.

Os tempos mudaram e muito, embora motivos não faltem para que se realizem passeatas pela agilização dos processos que envolvem políticos e empresários em maracutaias com o dinheiro público, as pessoas preferem assuntos menos nebulosos, como é o caso da liberação de drogas, o casamento gay e outras fantasias a que codificam como liberdade de expressão.

Particularmente nada tenho contra isso, muito embora entenda que coletivamente o que mais interessa é ver algum corrupto engaiolado. Mas não existem passeatas desse teor, para que eu possa me engajar. Creio até que a mídia não daria tanto respaldo a um movimento desse tipo, como o que promove em favor da liberação da maconha e do citado casamento gay.

Sou plenamente a favor de que os direitos das chamadas minorias, se é que ainda são, sejam respeitados à luz da legislação que defende os direitos de toda uma sociedade.

Mas como em todos os casos onde o exagero predomina, temo que em breve haja uma nova Marcha com Deus pela Família. E se tal ocorrer, espero que os atuais marchantes não se escondam embaixo da cama, como o fizeram nos anos de chumbo, e voltem às ruas para defender suas causas.

Espero também que o Judiciário tão zeloso e rápido na liberação dessas passeatas, aja também com a mesma firmeza na condenação dos que se apropriaram indevidamente, dos recursos do erário público.

É o que todos nós, escorchados diariamente pelos mais variados tipos de impostos governamentais, estamos reclamando. Se vivo estivesse, Bertolt Brecht por certo, reescreveria seu poema “Aos que virão depois de nós”, até porque os tempos sombrios a que se refere nessa obra, são outros.