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As esquinas da Lei Rouanet – II

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/05/2016 Colunista: Carlos Pinto

“Se os desonestos brasileiros

voassem, nós nunca veríamos

o sol.”

(DA)

 

 

Durante o Governo Collor começaram as primeiras picaretagens, que colocaram a Lei Rouanet como uma prostituta nas esquinas do país, à espera de seus clientes e respectivos gigolôs. É sempre bom relembrar o projeto de uma atriz da Globo, para a realização de um espetáculo para o qual levou um milhão de reais, espetáculo esse que sequer foi concretizado. Posteriormente, um outro ator global teve um projeto de vinte milhões de reais aprovado, para a realização de um filme sobre Assis Chateaubriand, filme esse que ninguém sabe e ninguém viu.

Daí para a frente tivemos empresário que virou dramaturgo e produtor teatral de seus próprios escritos. Como falta a devida fiscalização, o rei do cimento imperou nessa pratica, sem qualquer veto por parte de quem de direito. Durante o período em que Marta Suplicy foi Ministra da Cultura, por sua imposição dois costureiros tiveram aprovados projetos para a realização de desfiles de modas em Paris e nos Estados Unidos.

Cabe aqui uma pergunta: essa questão de desfile de modas não é assunto para outro Ministério? Industria e Comercio talvez, ainda mais com realização fora do país. E os projetos relativos ao Cirque du Soleil? Isenção de milhões de reais por parte dos seus patrocinadores, enquanto o povo tinha que pagar ingressos acima de trezentos reais para assistir. E os mega musicais importados dos States, com ingressos que só a elite econômica do país pode pagar?

Nos anos sessenta e setenta, o Conselho Estadual de Cultura de São Paulo, através de suas várias comissões, patrocinava eventos voltados especificamente à cultura, através de editais para recebimentos de projetos. Na área teatral onde atuei na Comissão Estadual de Teatro, todo espetáculo aprovado fazia uma temporada na Capital ou por cidades do interior paulista, cobrando ingressos populares que nunca ultrapassavam a casa dos dez reais, em dinheiro de hoje. Com isso toda a sociedade tinha condições de assistir aos principais eventos teatrais produzidos em São Paulo.

A aprovação de projetos para o devido culto à personalidade, como é o caso do filme sobre o ex-Presidente Lula, ou outro relativo ao Zé Dirceu, são exemplos pouco edificantes e que mostram de que forma o Governo Federal administra a Lei Rouanet. Isto sem falar em um monumento em homenagem ao funck que teve um aporte de quatro milhões de reais, segundo o que vem sendo veiculado pelas redes sociais. Ter Ministério ou Secretaria, não é o problema, que está diretamente ligado às deturpações que se verificam na utilização da lei de incentivos fiscais.

Enquanto isso o Museu do Ipiranga está fechado a quase três anos, por falta de verbas para sua restauração. E como ele, outros museus padecem do mesmo mal, enquanto os parasitas e mamadores de plantão, se locupletam com o dinheiro do povo, que assiste ao total abandono de nossas raízes culturais fincadas em nosso rico folclore. Enquanto a Lei Rouanet não for reformulada, em uma proposta formulada por Juca Ferreira, que dorme em alguma gaveta do Congresso, continuaremos a assistir esse espetáculo de prostituição explicita.