Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Cacilda, o Teatro do Estudante e o Hamlet de Paschoal

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 06/06/2016 Colunista: Carlos Pinto

Cacilda, o Teatro do Estudante e o Hamlet de Paschoal

“A morte emendou a gramática

Morreram Cacilda Becker

Não eram uma só

Eram tantas”

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Já lá se vão setenta e cinco anos da estreia de Cacilda Becker no teatro brasileiro, em uma montagem de Hamlet, de Shakespeare, dirigida por Paschoal Carlos Magno, para o Teatro do Estudante do Brasil. A partir daí começa sua carreira profissional na companhia teatral de Raul Roulien, e ao lado de Laura Suarez participa da montagem de “Trio em Lá Menor”, de autoria de Raimundo Magalhães Junior.

Dois anos depois regressa a São Paulo, indo trabalhar em rádio teatro, e entra para o Grupo Universitário de Teatro, fundado por Décio de Almeida Prado, onde participou das montagens de “Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, “Irmãos das Almas” de Martins Pena e, “Pequeno Serviço em Casa de Casal”, de Mario Neme. A convite do santista Miroel Silveira, retorna ao Rio de Janeiro para fazer parte da companhia “Os Comediantes”, grupo que procura inovar o panorama das artes cênicas brasileiras. Ao lado de Maria Della Costa e Olga Navarro, sob a direção de Ziembinski, participa da remontagem de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues.

Em 1948 volta a São Paulo e ingressa no TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, fundado por Franco Zampari, ao tempo em que passa a lecionar na recém fundada Escola de Arte Dramática, criada por Alfredo Mesquita. Tornando-se a primeira atriz do TBC, participa de memoráveis montagens dessa companhia, entre as quais “Seis Personagens à Procura de um Autor”, de Pirandello; “Anjo de Pedra”, de Tennessee Williams e, “Antígona”, de Sófocles.

A ligação de Miroel Silveira com Cacilda, vem dos tempos em que ela estudava balé clássico, e também, na Associação Instrutiva José Bonifácio, junto com suas irmãs Cleide e Dirce. Com a separação dos pais, ela, que era natural de Pirassununga, acompanha sua mãe que mudou residência para Santos, onde residiram por muitos anos na Rua Barão Paranapiacaba, 151. Este mês de junho marca também, o desaparecimento de Cacilda, ocorrido há quarenta e sete anos atrás, após ser acometida de um AVC, em plena apresentação do espetáculo “Esperando Godot”, de Samuel Beckett, com direção de Flávio Rangel.

Com o fim do TBC, monta sua própria companhia juntamente com Walmor Chagas, sua irmã Cleide Yaconis e o diretor Ziembinski. Foram encenações memoráveis, tais como: “Longa Jornada Noite Adentro”, de O´Neill, “A Visita da Velha Senhora” de Durrenmatt, “Quem tem Medo de Virginia Woolf”, de Albee, além de “Maria Stuart” de Schiller.

Durante o Governo Abreu Sodré ocupou a presidência da Comissão Estadual de Teatro, onde realizou grandes conquistas para a classe teatral paulista, e participou ativamente na luta contra o regime militar. Muito embora não fosse santista de nascimento, sempre teve intima ligação com a cidade de Santos e seus amadores de teatro.