Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Trinta anos da Pinacoteca Benedito Calixto

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 12/06/2016 Colunista: Carlos Pinto

Trinta anos da Pinacoteca Benedito Calixto

“Há dois tipos de pessoas: as que

fazem as coisas e as que ficam

com os louros. Procure ficar no

primeiro grupo: há menos

competições por lá”

(Indira Gandhi)

 

A Pinacoteca Benedito Calixto está completando trinta anos de fundação, fato ocorrido em 06 de dezembro de 1986, através da Lei 154, criada pelo então Prefeito de Santos, Oswaldo Justo. Anteriormente, Justo já havia enfrentado uma árdua peleja, no sentido de convencer a todos os herdeiros do chamado Casarão Branco, para que fosse adquirido pela Prefeitura. Contou para essa tarefa, com o imprescindível apoio de Edith Pires Gonçalves, também herdeira, que o ajudou a convencer os demais.

Com a posse do imóvel restava restaurá-lo e ocupa-lo com alguma atividade, e vários secretários de seu governo, lutavam para instalar suas Secretarias no referido casarão. Uma hora era o Secretário de Cultura que apresentava sua proposta, outra era o Secretário de Turismo, além de outros membros do seu governo. Para evitar um desgaste entre os membros da sua equipe, Justo acabou acatando uma ideia de Darcy Barros, santista e empresário da área do comercio exterior, cuja proposta era a instalação de uma pinacoteca, dedicada a Benedito Calixto, equipamento que Santos não possuía.

O Casarão Branco data de 1900, construído que foi por Anton Dick, para servir de residência dessa família alemã, que lá residiu por um período aproximado de dez anos. Foi vendido para Francisco da Costa Pires, exportador de café, que lá fixou residência com sua família. Com dificuldades financeiras por volta de 1913, saiu da residência que passou a ser ocupada pelo Asilo de Inválidos.

Com o avanço das construções imobiliárias na orla da praia, aquela área passou a ser objeto da cobiça de vários incorporadores. Para que tal patrimônio não viesse a ser demolido, herança da época áurea do café, a Prefeitura tomou a iniciativa de adquirir o imóvel, cujas tratativas se iniciaram ao tempo que Carlos Caldeira era o interventor federal nomeado pelo regime militar. Coube a Oswaldo Justo, enquanto Prefeito Municipal, fechar os entendimentos que tornaram a municipalidade como proprietária do imóvel.

Tenho acompanhado as manifestações que marcam os trinta anos da Fundação Pinacoteca Bendito Calixto, pela imprensa local, e lastimo que, tanto Oswaldo Justo, quanto Darcy Barros, sejam mantidos no esquecimento. Sequer lembrados pelos que hoje ocupam a diretoria ou o conselho da entidade, em suas falas sobre a referida efeméride. Darcy gastou uma pequena fortuna na obra de restauração, e foi o principal responsável pela entrega do imóvel como hoje se encontra.

É imperioso lembrar também de Roberto Mario Santini, outro esquecido nessas comemorações. Como bem colocou Aristóteles, em uma de suas obras, “ a grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”. Tanto Justo, quanto Darcy e Roberto Santini, merecem ser lembrados eternamente. (Foto: Arquivo/Divulgação)