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A classe operária vai ao inferno

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 26/06/2016 Colunista: Carlos Pinto

“Hoje sei muito bem que

nada repugna tanto ao

homem, do que seguir

pelo caminho que o conduz

a si mesmo. ”

(Hermann Hesse)

 

Quando a gente pensa que nada mais vai nos surpreender neste emaranho de denúncias de corrupção, eis que o impossível acontece. A prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, traz à luz um golpe praticado contra os operários que, com a necessidade de sobreviver, apelaram para o tal de empréstimo consignado. A maracutaia armada em torno destes empréstimos, resultou numa fraude de cem milhões de reais, que alguns malandros, entre os quais o ex-ministro, colocaram nos bolsos.

O triste desta estória, é saber que o PT, foi criado dentro de plataformas de combate à corrupção e defesa da classe operária. O que estamos verificando na prática, é que a maioria dos seus membros diretivos estão envolvidos em inúmeras formas de corrupção, descobertas a partir do mensalão. E o mais escabroso está no fato de ser um partido nascido de movimentos sindicais, que hoje, comprovadamente, além de iludirem e surrupiarem a classe operária, jogaram a economia do país ladeira abaixo.

Lamentavelmente nossa justiça está morosa demais, na defesa da sociedade como um todo. Com aplicação de penas brandas em primeira instância, ainda permite que esses gatunos fiquem em prisões domiciliares, localizadas em mansões e sítios que adquiriram através das fraudes praticadas. A mansão do ex-presidente da Transpetro, onde atualmente esse gatuno e delator está confinado, já deveria ter sido confiscada pela Justiça, assim como o sitio na região serrana do Rio de Janeiro, onde Nestor Cerveró, outro gatuno e delator, passa férias com seus familiares.

Esse tipo de penalização é um escárnio, perante o tanto que esses cidadãos corroeram o patrimônio nacional, levando a Petrobrás, praticamente, para a insolvência. E o mais doloroso, é que ao adentrar o apartamento funcional onde o senhor Paulo Bernardo reside com sua mulher, a senadora Gleise Hoffmann, criou-se uma discussão que envolve a situação da senadora que tem foro privilegiado. Não se discute a gatunagem praticada pelo marido dela, mas sim, a questão de uma senadora residir no referido apartamento.

Idiotices a parte, está na hora da sociedade se movimentar para derrubar esse estatuto do foro privilegiado. Se a Constituição reza que todos são iguais perante a Lei, porque uns são mais iguais?

Em minha visão, ladrão é ladrão em qualquer circunstância, assim como, o cidadão foi condenado em primeira instância, tem mais é que ir para as grades e de lá recorrer a outras instâncias se for o caso. E além disso, está na hora dos governantes perderam o direito de nomear os juízes dos Tribunais Federais, bem como, os demais membros de outras instâncias do judiciário. Para isso existe o estatuto dos concursos públicos. A continuar esse tipo de composição dos Tribunais Federais, fica claro que nem sempre teremos uma justiça para todos.