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O desprezo dos governantes pela cultura

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 15/07/2016 Colunista: Carlos Pinto

“Os idiotas vão tomar conta

do mundo; não pela capacidade,

mas pela quantidade. Eles são

muitos.”

(Nelson Rodrigues)

 

 

Há um claro desprezo pelos que governam neste país, com relação aos aspectos que envolvem a produção cultural mais legitima. E culpa disto cabe também aos fazedores de cultura, pois não conseguem construir uma unidade em torno dos reais interesses da cultura nacional. Cada qual tenta salvar o seu lado, pouco se importando se o vizinho tem dificuldades. E quando resolvem realizar algum protesto, o mesmo traz o ranço da antiga esquerda festiva que, no passado, nunca produziu nada de positivo.

As notícias que nos chegam do Festival de Inverno de Campos do Jordão, são mais um atestado da ineficiência da política cultural tucana, para o Estado de São Paulo. Nem Secretário Estadual de Cultura consegue nomear, após a saída do senhor Marcelo Araújo, que também não disse ao que veio durante o tempo em que esteve ocupando o trono. Cobrar quatrocentos reais de ingresso para assistir a Orquestra Sinfônica do Estado, é realmente um abuso. Obrigar músicos a pagar oitenta reais no estacionamento de veículos, é realmente desproposital.

Aos poucos a cultura paulista vai sendo dizimada e sobrevive pelo trabalho de uns poucos abnegados, pois se depender do Estado, nada vai acontecer. Pelos comentários de amigos que estão em Campos do Jordão, o Festival de Inverno é hoje um arremedo daquilo que o Maestro Eleazar de Carvalho projetou. Some-se a isto as fraudes na Lei Rouanet, que inexplicavelmente sumiram do noticiário, e não se sabe sobre os fraudadores acusados e que foram presos.

Com raras exceções, os atuais prefeitos estão se lixando para a cultura, já que, via de regra, não possuem nenhuma, são jejunos na área, e tem por costume nomear apoiadores para os órgãos oficiais do setor. Quando um vendedor de carros é guindado ao posto de diretor dos teatros de uma prefeitura, indicado por um ilustre vereador, temos a exata noção de como esse prefeito conhece e gosta do setor. E não vemos ninguém dos grupos culturais protestar contra esta aberração.

Um outro prefeito, também de linhagem tucana, ao ser preterido na pré-convenção do seu partido a uma tentativa de segundo mandato, tratou logo de fazer uma retaliação, demitindo funcionários ligados à área cultural, que não o apoiaram. Um verdadeiro macaco em loja de louças, que agora enfrenta um processo de cassação na Câmara Municipal de sua cidade, acusado de improbidade administrativa. E la nave va.

Saudades dos tempos em que a cultura produzia grandes eventos produzidos pelo Estado e Prefeituras, sem qualquer Lei Rouanet a apoiá-los. Eventos que se notabilizaram, como foi o caso do Festival de Verão de Guarujá, o Festival Estadual de Teatro Amador, o Festival de Folclore de Olímpia, e o próprio Festival de Inverno de Campos de Jordão, além de outros certames que proliferavam pelo interior paulista. Pouca coisa resta hoje, e assim mesmo, sabe-se lá até quando. Infelizmente, não dá para comparar a qualidade cultural de um governador como Abreu Sodré, com a do atual governador dos paulistas.