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O maquiavel das Alagoas

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 03/09/2016 Colunista: Carlos Pinto

O maquiavel das Alagoas

“O mal que os homens fazem

permanece após sua morte.

O bem, esse quase sempre

é enterrado com seus ossos. ”

(Shakespeare)

 


Nicolau Maquiavel foi um importante filósofo, historiador e político italiano, nascido em Florença em maio de 1469. Entre suas obras destaca-se “O Príncipe”, verdadeiro tratado que traça conselhos aos governantes, de como governar e manter o poder absoluto, mesmo que para isso tenha que usar a força militar e criar inimigos. É autor também de “A Arte da Guerra”, que apesar de sua importância sempre teve menos leitores. Sempre entendi que tais obras são de extrema necessidade para todo e qualquer indivíduo que queira fazer uma carreira política.

Da mesma forma que a obra de Georges Politzer, “Princípios Fundamentais da Filosofia”, tem que ser lida e analisada por qualquer indivíduo que queira seguir as profissões de ator, atriz e diretor, notadamente nas primeiras 100 páginas do livro. Nelas o autor discorre sobre a dialética, o que também serve para a classe política.

Esta semana ambos os autores acima citados, devem ter virado nos túmulos onde se encontram, em função da trama urdida no Senado Federal, com a conivência do Presidente do Superior Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Nem Maquiavel prosperou tamanha violência, que tem a finalidade de manter o poder do senhor Renan Calheiros, e abrir uma infinita estrada para safar os envolvidos na Operação Lava Jato, que venham a ser condenados e tiverem seus mandatos obrigatoriamente cassados.

Quando falo que nem Maquiavel prosperou tamanha façanha, é porque esse mestre da arte de fazer política, defendia uma forma de governo republicana, e a necessidade de uma cultura política SEM CORRUPÇÃO, que estivesse apoiada nos princípios da moral e da ética. Portanto, atribuir a Maquiavel o cometimento de atos desleais ou violentos, para que se consigam vantagens manipulando as pessoas e o povo em geral, é totalmente injusto, já que sempre foi um defensor das práticas morais e éticas na política.

O que os senhores senadores aprontaram no episódio que levou ao impedimento de Dilma Roussef, contrariando e afrontando o disposto na Constituição Federal, em seu Artigo 52, é um tapa na cara de todos os brasileiros. Rasgaram a Carta Magna ao vivo pela televisão, o que por certo vai gerar uma nova crise política no país. É impossível que o referido STF não venha a corrigir tanta infâmia, e recolocar os fatos dentro dos parâmetros legais de uma Constituição em vigor.

Quanto aos senadores que apoiaram esta manobra antiética e imoral, cabe a sociedade brasileira em próxima eleição para aquela casa de leis, manda-los de volta para suas casas, e incluí-los nos extensos índices do desemprego, que atormenta a classe operária brasileira. O Senado Federal não é lugar de indivíduos que, além de atropelarem a língua portuguesa, rasgam a Constituição para protegerem e se proteger da justiça, quando apanhados após o cometimento de crimes contra a honra, a ética, a moral e o patrimônio nacional.