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Luto nos palcos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 18/09/2016 Colunista: Carlos Pinto

“Para onde quer que tu vás,

vai todo, leva junto teu

coração. ”

(DA)

 

Uma semana onde as artes cênicas sofreram duas perdas, uma delas inesperada, fruto de uma tragédia. No Brasil, o Velho Chico, como é conhecido o Rio São Francisco, levou em suas águas o talento e o carisma de Domingos Montagner. Inútil se falar deste talentoso ator, de suas características profissionais e humanas, aspectos já bastante explorados pela mídia nacional.

A verdade é que esta novela da Rede Globo, em que pese as discutidas qualidades do texto, apresentou desempenhos destacados, não só do Domingos Montagner, mas principalmente da atriz Selma Egrei, cujo desempenho merece todos os elogios. Conheço Selma desde os tempos em que era aluna da Escola de Arte Dramática da USP. Sempre demonstrando sobras de talento em todo os espetáculos, novelas e seriados na TV.

Mas esta novela vai ficar marcada não apenas pelo acidente que vitimou Domingos, mas também, pelo falecimento de Umberto Magnani, outro grande ator do teatro, cinema e televisão do país. Na oportunidade escrevi um comentário sobre o Magnani, que era meu amigo desde os anos sessenta. Trabalhamos juntos em algumas oportunidades, e era um artista que se destacava muito por sua simplicidade e amizade, além do talento nato.

Outra perda a lamentar é a morte de Edward Albee, dramaturgo americano, vencedor em três oportunidades do prêmio Pulitzer, cinco prêmios Tony, além de cinco Oscars pela filmagem de “Quem Tem Medo de Virginia Woolf? ”. Deixa mais de trinta textos teatrais, onde discutia sobre algumas das pilastras da cultura americana, entre as quais o casamento, a criação de filhos, a religião e os privilégios ostentados pelas classes mais ricas da sociedade americana.

No Brasil vários dos seus textos receberam montagens de sucesso. Além de “Quem tem medo de Virginia Woolf”, um de seus textos que mais montagens recebeu foi “A História do Zoológico”, (Zoo Story). “Equilíbrio Delicado”, “A Cabra”, “Três Mulheres Altas” e “A Senhora de Dubuque”, foram textos encenados por elencos onde despontavam José Wilker, Marisa Orth, Natália Thimberg e Reynaldo Gianecchini, entre outros.

Em 1996, Edward Albee recebeu a Medalha Nacional das Artes, e o então Presidente Bill Clinton em sua homenagem, fez uma referência a ele como uma inspiração para toda uma geração de autores teatrais. Nascido em 1928, foi adotado por um casal com bons recursos, cujo pai era gerente de uma rede de teatros de vaudeville. A primeira montagem de uma de suas obras ocorreu em Berlim -Zoo Story- que foi escrita em 1958.

A estreia de “Quem tem medo de Virginia Woolf”, na Broadway, em 1962, proporcionou a Albee uma verdadeira aclamação pela crítica, que o considerou como o grande dramaturgo de sua geração. O texto é marcado pelo humor negro, onde um casal formado por um professor de meia idade e sua mulher, fazem revelações e discutem suas ilusões em função de uma noitada de bebedeira, discussão essa que envolve um outro casal mais jovem. Enfim, uma semana de luto para os palcos do Brasil e do mundo.