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O centenário do velho Ulysses

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 06/10/2016 Colunista: Carlos Pinto

O centenário do velho Ulysses

“Eu sou Ulisses,

Rei de Ítaca,

destruidor de Roma. ”

(Homero in Odisseia)

 

Nascido na vila de Itaqueri da Serra, que hoje se constituiu em um Distrito de Itirapina, que nos primórdios dos anos 1900 fazia parte do Município de Rio Claro, Ulysses Guimarães foi um dos principais baluartes do retorno do País ao regime democrático. Se vivo estivesse estaria completando hoje, 6 de outubro, o seu centenário. Formado em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, logo se destacou nos embates estudantis, com ativa participação no Centro Acadêmico XI de Agosto, vindo também a exercer a vice-presidência da UNE – União Nacional de Estudantes.

Durante anos lecionou Direito Constitucional na Universidade Mackenzie, lecionando também na Faculdade de Direito de Itu e na Instituição Toledo de Ensino, em Bauru. Em Santos exerceu as atividades de advogado tributarista, foi associado do Santos Futebol Clube a partir de janeiro de 1941, clube no qual exerceu a Vice-Presidência da subsede da Capital, nos exercícios de 1942 e 1945. Em 1947, pela legenda do PSD foi eleito Deputado Estadual à Constituinte de 1947. Quando residiu em Santos, morava em uma pensão na Rua Floriano Peixoto.

Não mais deixou a política, elegendo-se Deputado Federal por São Paulo, durante onze mandatos consecutivos. Dono de oratória fácil e fluente, fez seu primeiro discurso em sua vila natal, Distrito de Itaqueri da Serra, à sombra de uma figueira. Foi condecorado duas vezes pelo Governo de Portugal, em maio de 1958 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo e, em novembro de 1987, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Com a decretação do regime militar em 1964, inicialmente apoiou a derrubada do Presidente João Goulart, mas logo na sequência, passou à oposição, função que exerceu com firmeza. Com a criação do bipartidarismo, filiou-se ao MDB, no qual foi Vice-Presidente e, posteriormente, Presidente Nacional. Exerceu também no período de 1967 a 1970, a presidência do Parlamento Latino-Americano. Em 1973, lançou-se anticandidato à Presidência da República, tendo como companheiro de chapa o jornalista Barbosa Lima Sobrinho. Iniciava também, a memorável campanha pelas Diretas-Já, que levou milhões de pessoas às ruas, e foi decisiva para volta da normalidade democrática no Brasil.

Com o fim do bipartidarismo, após o retorno da democracia e a luta pela anistia ampla, geral e irrestrita, trabalhou na transformação do MDB-Movimento Democrático Brasileiro, em PMDB-Partido do Movimento Democrático Brasileiro, do qual foi Presidente Nacional por vários anos. Exerceu a presidência da Câmara dos Deputados em três oportunidades. Presidiu a Assembleia Nacional Constituinte em 1987-1988, na qual exerceu papel fundamental, que aprovada em 5 de outubro de 1988, foi por ele denominada de Constituição Cidadã, em função dos avanços sociais conquistados.

Faleceu em um acidente aéreo nas imediações de Angra dos Reis, junto com sua esposa, Dona Mora, e com o ex-Senador Severo Gomes e sua mulher. Somente seu corpo não foi encontrado até hoje. Em Santos, tinha dois grandes amigos da política: Oswaldo Justo e Esmeraldo Tarquínio. Um homem que a falta de consciência política dos brasileiros, rejeitou nas urnas para ser o nosso Presidente. Salve Ulysses Guimarães.