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A terceira estrela

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 02/07/2011 Colunista: Carlos Pinto

Em noite mágica no Pacaembu, o Santos Futebol Clube conquistou sua terceira Copa Libertadores da América, premiando seus torcedores que incentivaram ao máximo os comandados de Murici Ramalho. Esse torneio que define o representante da América do Sul no Torneio Mundial Inter-Clubes, a ser disputado em dezembro no Japão, é na verdade uma guerra sem fronteiras. Iniciando mal o torneio, aos poucos o Santos foi se estabilizando até chegar a final e a vitória.

Vencedor nos anos de 1962 e 1963, com o “magic team” comandado por Pelé, Zito, Coutinho, Pepe e duas dezenas de gênios do futebol, que compunham aquele que foi o maior esquadrão de futebol do mundo em todos os tempos. Quarenta e oito anos depois, o Santos ostenta hoje um dos melhores times de futebol do Brasil e do mundo, onde brilham jogadores como Neymar, Paulo Henrique Ganso, Arouca, Danilo, Leo e tantos outros.

É impressionante assinalar o aumento de torcedores que o “peixe” conquistou através dos anos, não só no Estado de São Paulo, mas pelos demais estados brasileiros e no exterior. A festa que tomou conta da cidade de Santos exemplifica o quanto o futebol determina na auto-estima de um povo, principalmente em uma cidade que vem experimentando um crescimento no seu potencial econômico, social e cultural.

A cidade de Santos vive esse momento de retomada, após anos de intervenção federal, da crise do café e do fechamento do jogo no Brasil, que postergaram a cidade a uma situação sem precedentes. O fechamento do jogo, durante a presidência de Eurico Gaspar Dutra, aniquilou com os setores de prestação de serviços, notadamente a hotelaria, gastronomia, comércio em geral, alem de determinar o fim do Teatro de Revista, uma arte genuinamente nacional.

Na seqüência tivemos a crise cafeeira, que levou ao fechamento de várias comissárias de café, criando um desemprego nesse setor, e afetando a questão de exportação e por consequência, as atividades portuárias. Nem bem a cidade começava a se refazer desses golpes, tivemos a revolução de 64, com a intervenção federal na cidade, que ficou mais de dezesseis anos sem poder eleger seus governantes.

Hoje, a cidade respira liberdade e crescimento econômico. Com a descoberta do pré-sal na Bacia de Santos, há no horizonte, perspectivas de um novo amanhã, que já se prenuncia no aumento de sua construção civil, no mercado de trabalho, nos negócios, na expansão da faixa portuária.

A terceira estrela do Santos Futebol Clube, também nos permite sonhar com a recuperação esportiva do município, e quem sabe, com o tri-campeonato mundial interclubes. E sonhar não é proibido e nem motivo para o riso alheio, pois quem não tem sonhos, tem muito pouco.