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É necessário passar o Brasil a limpo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/10/2016 Colunista: Carlos Pinto

“As leis são como as teias

de aranha; os pequenos insetos

prendem-se nelas e, os grandes

rasgam-nas sem custo. ”

(Anacorsis- 600 a.C.)

 

Os recentes episódios da vida nacional, protagonizados pelo atual Presidente do Senado Federal, revelam a urgência da necessidade deste País ser passado a limpo.

A ação da Polícia Federal em cumprimento a uma decisão judicial, em pleno Senado da República, provocou uma reação desproporcional por parte do Senador Renan Calheiros. Cabe aqui uma pergunta crucial: a polícia legislativa tem funções fora do âmbito das casas legislativas? Podem agir em casa de Senadores para rastrear a existência de grampos ou aparelhos assemelhados?

Parece que para o Senador Renan, esses funcionários estão acima de qualquer lei, razão pela qual saiu em defesa deles e afrontando a ação de uma decisão judicial. Extrapolou em suas declarações, ofendeu o Ministério Público e o Judiciário, o que lhe valeu uma reprimenda por parte da Presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ministra Carmem Lucia.

Não satisfeito, apelou para o mesmo Tribunal no sentido de que a ação da Polícia Federal fosse anulada, com a consequente devolução de equipamentos e documentos retirados pelos policiais. Teve em parte a sua vontade realizada, só que o Ministro Teori mandou recolher todo o material à disposição do STF.

Depois das bravatas, talvez aconselhado por seus pares no sentido de dar uma volta em suas declarações, aceitou participar de um jantar promovido pelo Presidente Michel Temer, com a presença do Ministro da Justiça, outro ofendido por ele, mais a Presidente do STF e outros convivas, com a finalidade de um restabelecimento da concórdia entre os três poderes.

Após o ágape, derramou-se em elogios à Ministra Carmem Lucia, desculpou-se de todas as bravatas proferidas, e recolheu-se como um caramujo. Não é de hoje que esse Senador aparece nos noticiários, como envolvido em fatos e assuntos pouco republicanos. Nas investigações que vem sendo efetuadas pela Operação Lava Jato, seu nome tem sido veiculado em vários depoimentos, como destinatário de propinas oriundas de contratos da Petrobrás. Além disso, existem no STF outros processos anteriores, que no passado o levaram a renunciar ao mandato de Senador, processos esses que foram pautados para julgamento no próximo mês de novembro.

A morosidade da Justiça em julgar, condenar e prender corruptos, termina por criar um clima de impunidade no País. Porém, culpa maior cabe aos eleitores que elegem determinados cidadãos, cuja ficha corrida não é das mais limpas. As últimas eleições foram marcadas pela eleição de alguns políticos, cujo passado os condena. Então como passar o Brasil a limpo, se os eleitores não têm a mínima consciência na hora de votar? Como acabar com a corrupção reinante, se o próprio povo elege uma série de calhordas? Quem tiver a solução, salva este País.