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Os lobos não perdem o pelo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/11/2016 Colunista: Carlos Pinto

“Hoje sei muito bem que

nada na vida repugna

tanto ao homem, do que

seguir pelo caminho que

o conduz a si mesmo. ”

(Hermann Hesse)

 

O recente episódio envolvendo o ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, e o indefectível Geddel Vieira, ex-Ministro não sei do que, é uma triste repetição por parte de alguns políticos, talvez a maioria deles, da falta de respeito para com a sociedade brasileira. Se desentenderam por um assunto de ordem pessoal do senhor Geddel, cuja notória figura nos remete ao episódio dos anões do orçamento, de onde conseguiu se safar, sabe-se lá como.

Junte-se a isso, as tentativas de anistiar a tal de caixa dois, e com isso, dar um tremendo golpe na Operação Lava Jato e, em outras investigações que o judiciário vem fazendo, e que envolve, segundo se comenta, para mais de 240 membros do nosso excelso Congresso Nacional. O que estes senhores estão preparando, pode nos levar a mais um período de trevas, pois como reza antigo provérbio, “o vaso tantas vezes vai a fonte que um dia quebra”.

Em várias oportunidades tenho afirmado que os senhores congressistas não tomaram suas cadeiras de assalto. Foram eleitos por cidadãos que não refletem e não pensam antes de depositar seu voto nas urnas. E tão logo eleitos, aí sim, boa parte deles passa a nos assaltar diuturnamente, e nós, tontos, continuamos a elege-los, como é o caso de Renan Calheiros, Paulo Maluf, Romero Jucá e tantos outros que para lista-los a todos, necessitaria de um jornal inteiro.

Esses gatunos não são encontrados apenas no Congresso Nacional. Estão impregnados nas Câmara Municipais, nas Assembleias Legislativas, nas Prefeituras e governos estaduais. Constituem-se em uma praga maior que a saúva cantada em prosa e verso, nos tempos imemoriais. É raro o dia em que os noticiários jornalísticos ou das TVs, nos dá ciência de mais uma patifaria alicerçada em atitudes de alguns políticos, sejam eles instalados em Brasília ou, em Cafundó do Judas.

O senhor Geddel Vieira queria apenas assegurar sua participação em um condomínio de alto luxo, com vistas para a Baía de Todos os Santos. E para isso o Ministro da Cultura teria que rasgar os compêndios do IPHAM, órgão que cuida da preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural do país. Apenas isso. Só isso para satisfazer as vaidades do Coronel Geddel. Marcelo Calero não arregalou, e com isso o Coronel Geddel entrou em choque e levou o Presidente da República a cometer uma tentativa de suicídio político.

Este país de meus Deus tem coisas que a razão desconhece, e deixa atônitos a todos nós. Para dar um fim nesse cenário de horror em que estão transformados o Congresso Nacional e o Governo desta Nação, só uma eleição geral para todos os níveis e cargos. E não pode ser para ontem. Estamos correndo o risco de acordar em um novo período de trevas. Quem viver verá. E vamos tratar de aprender a votar para extirpar esses cancros da vida nacional.