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A canalhocracia brasileira e a lição que vem da Colômbia

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 04/12/2016 Colunista: Carlos Pinto

“A ave sai do ovo. O ovo é o mundo.

Quem quiser nascer tem que destruir

um mundo. Destruir no sentido de

romper com o passado e as tradições

já mortas. Ser é ousar ser.”

(Hermann Hesse)

 

A madrugada já não pertence mais aos boêmios, aos compositores que tinham na lua sua inspiração. A noite agora, a madrugada, foi tomada dos boêmios pela canalhocracia instalada no Congresso Nacional. Enquanto os brasileiros estavam desolados e em forte comoção nacional, em virtude do acidente aéreo que vitimou a equipe da Chapecoense, a corja varou a madrugada para aprovar um monstrengo, cuja finalidade principal é livrar a cara de centenas de deputados, cuja conduta imoral, os levará fatalmente a uma conversa com o juiz Sergio Moro.

Não contavam com a reação da população, mas mesmo assim, na madrugada seguinte, com o maior cinismo do planeta, o senhor Renan Calheiros, Presidente do Senado, tentou mais um golpe, querendo aprovar na marra o referido monstrengo. Mas contra isso se insurgiram vários Senadores que, no voto, acabaram derrubando a pretensão de Renan e seus cupinchas.

Boa parte dos nossos representantes no Congresso Nacional, exibiram uma total falta de solidariedade com relação ao momento vivido pelo País, com a tragédia ocorrida na Colômbia. Uma tragédia também provocada pela ganancia, pela maracutaia de ganhar uns trocados a mais. E com isso estão concorrendo para a crescente revolta popular, que pode levar a nação a um conflito sem precedentes. Ha um grito parado no ar, preso na garganta de todos nós, um grito gerado pelo inconformismo com boa parcela de partidos e seus componentes, que arrastaram o Brasil para uma crise jamais vista em nossa história.

Estamos na beira do precipício, caminhando para uma crise econômica de grandes e graves proporções, e a canalhocracia, culpada por tal situação, tenta de tudo para salvar a própria pele, se lixando para os milhões de desempregados que suas maracutaias criaram. É muita desfaçatez, muito cinismo, muita certeza da impunidade. E as reações populares já se iniciaram. Diante das propostas de retaliação que correm nas redes sociais, algumas já concretizadas, esses senhores terão enormes dificuldades para circularem em suas cidades de origem.

Enquanto isso, os colombianos produziram uma lição sem precedentes na história mundial, uma lição de solidariedade, de respeito ao ser humano, provando que o esporte serve para unir os povos, em qualquer situação. Uma lição de humanidade que nos comoveu a todos, menos aos malandros congressistas, que tentaram se aproveitar desse momento doloroso para todos nós, para mais uma vez nos colocar a faca na garganta.

Que o povo brasileiro grave na memória os nomes de todos esses traidores, e que nunca mais lhes de um voto. Não são merecedores de nossa solidariedade em qualquer situação em que estejam envolvidos. São merecedores sim, de enfrentarem longos anos em uma prisão qualquer, e terem seus bens adquiridos ilicitamente, devidamente recuperados pelo Estado.