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Cultura: a resposta vazia

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 09/01/2017 Colunista: Carlos Pinto

Meu último comentário sobre o desmonte da cultura nacional, mereceu uma nota da assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do Estado, onde vagamente tentam desmerecer os fatos apontados, deixando no ar que eu seria um jejuno desinformado. Como resposta a essa nota, apenas perguntei onde se encontravam as oito milhões de pessoas que essa nota afirma estarem sendo atendidas pela dita Secretaria.

Com relação ao fechamento de oficinas culturais, tentativa de desmonte de orquestras e os malefícios causados por OS ou ONGS ou o diabo que as carregue, nada foi colocado. Apenas para corrigir a desinformação de quem ditou a resposta, eu conheço muito bem o funcionamento da cultura estadual. Durante anos fui membro da antiga Comissão Estadual de Teatro e do Conselho Estadual de Cultura, quando os governantes de então – Abreu Sodré e Laudo Natal – tinham um enorme respeito pelo setor, e propiciavam condições para um funcionamento normal da referida Secretaria.

Trabalhei na assessoria do ex-Secretário José Mindlin, esse sim, profundo conhecedor da área, que durante sua gestão realizou um belo trabalho, interrompido pela truculência do regime vigente à época. Com a morte do jornalista Vladimir Herzog, nas dependências do DOI-CODI, e sendo ele funcionário da TV Cultura nomeado pelo Mindlin, foi forçado a se afastar do cargo. Portanto conheço os meandros dessa Secretaria, antes de passar a ser dominada pelas tais de Organizações Sociais, repleta de apadrinhados, e sepulcro da arte e cultura de nosso Estado.

Mas no meu comentário anterior não me referi tão somente a questões relativas ao Estado de São Paulo. O desmonte que denuncio, é verificável em todos os estados e prefeituras, cujos donatários através dos anos, vem realizando um afastamento da sociedade dos bens culturais. Nomeiam jejunos para gerir esses órgãos, cuja competência e capacidade é apenas visível na demagogia barata de suas entrevistas, onde prometem aquilo que sabem que não podem cumprir ou realizar. Aqui em Santos essa demagogia está presente, apenas para citar um exemplo, na novela em que está transformada a chamada Cadeia Velha.

Anos em restauração e agora, depois de pronta, o Estado não sabe o que fazer com ela, quando o certo, é permitir que os grupos culturais da cidade a utilizem com seus trabalhos, dando vida as suas instalações recém reformadas. Não fazem e não permitem que outros façam.

Não sei que tanto receio os governantes tem dos fazedores de cultura. E tem mais exemplos frutificando pelas prefeituras paulistas, cariocas e nos demais estados. Seria bom que passassem a ouvir atentamente as vozes das ruas, para que em futuro não tão distante, não venham a lidar com uma perigosa queda da Bastilha.