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E o desmonte continua

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/01/2017 Colunista: Carlos Pinto

Por vezes tenho a impressão que os fazedores de cultura, são os culpados por todas as mazelas que ocorrem neste País. Trensalão, petrolão, mensalão, falcatruas nas construções de hidroelétricas e usinas nucleares, além dos assaltos praticados na Caixa Econômica Federal, são obras de produtores culturais e artistas deste imenso país. Mas também me detenho ao ler e ouvir o noticiário sobre essas maracutaias, e não ouço falar em nenhum fazedor de cultura, envolvido nessas patifarias ou preso em Curitiba.

Então porque a Cultura tem que ser desmontada, para saldar compromissos do Estado? Os orçamentos para o setor são os mínimos possíveis, e assim mesmo, os governantes de plantão desmontam orquestras, fecham oficinas culturais e fundações do setor. Desmentindo a nota da Secretaria de Estado da Cultura, que me alertou estar desinformado quando escrevi recentemente sobre o assunto, o Governador Geraldo Alckmin mandou fechar a Oficina Cultural Pagu, uma das mais antigas do Estado, cuja sede era em Santos.

Prefere utilizar as instalações da chamada Cadeia Velha, recém reformada, para acomodar a AGEM – Agencia Metropolitana, que assim deixa de pagar aluguel onde está instalada. No contrapeso, leva o Projeto Guri para uma das antigas celas, enquanto o resto do prédio não se sabe o que vai acontecer. A AGEM, até aqui um órgão inócuo, pelo espaço que necessita, pode utilizar uma cela para suas instalações sem a necessidade de se determinar o fim da Oficina Cultural Pagu.

O pior, é ler declarações de secretários de cultura da região, alinhados com o tucanato, em uma demagogia barata e recheadas de mediocridade, longe de defender os interesses da cultura da região. Mas os desmanches não param por aqui. O novo prefeito de São José dos Campos, como um de seus primeiros atos foi determinar o fim da Orquestra Sinfônica Municipal, que vinha desenvolvendo um belo trabalho nos últimos anos. E ainda mais, pretende este tucaninho, fechar a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que a longos anos presta serviços não só a São José dos Campos, como para as demais cidades do Vale do Paraíba.

Em Franca, o novo prefeito que não é tucano, mas é de um partido agregado, tinha ou tem como meta, fechar a FEAC-Fundação de Esportes, Arte e Cultura, mas para efetuar tal desmonte é obrigado a passar pela Câmara Municipal. Para tanto, nomeou para a FEAC um candidato a vereador que não se elegeu, talvez com a função precípua de dar um fim no referido órgão. Pretende ainda este prefeito jejuno, nomear outro candidato a vereador que também não se elegeu, para ser o diretor do Teatro Municipal da cidade.

E assim caminham estes novos tempos, recebendo informações de companheiros de outras cidades onde o desmanche também corre solto. Apenas para finalizar, fica uma pergunta no ar: Qual o crime cometido pelos produtores culturais e artistas desta Nação?