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Paulo Francis: entre o teatro e o jornalismo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 06/02/2017 Colunista: Carlos Pinto

Paulo Francis: entre o teatro e o jornalismo

“ A grandeza não consiste

em receber honras, mas

em merecê-las. ”

(Aristóteles)

 

Franz Paul Trannin da Matta Heilborn, ou simplesmente, Paulo Francis. Navegou entre o teatro e o jornalismo com grande competência. Além de jornalista foi crítico teatral e escritor, tendo trabalhado em grandes jornais brasileiros. Neto de um comerciante alemão de café, cursou o primário em um internato da Ilha de Paquetá, e o secundário no Colégio Santo Inácio, em Botafogo. Foi participante ativo do Centro Popular de Cultura da UNE, e ator amador no Teatro de Estudantes do Brasil, dirigido por Paschoal Carlos Magno. Foi por sugestão deste último, que adotou e passou a assinar como Paulo Francis.

Em 1952 foi premiado como ator revelação por seu desempenho em “A mulher de Craig”, e no início dos anos 50 frequentou a Faculdade Nacional de Filosofia. Entre 1954 e 1955 realizou um curso de literatura dramática na Universidade de Columbia, onde foi aluno do laureado crítico e autor teatral, Eric Bentley. Retornou ao Brasil, foi trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, onde dirigiu “O dilema de um médico”, de Bernard Shaw; “O Telescópio”, de Jorge Andrade; “Pedro Mico”, de Antonio Callado e “Uma mulher em três atos”, de Millôr Fernandes.

Com a experiência conquistada como diretor teatral, Francis passou a exercer a crítica teatral, deixando de lado a promoção pessoal das estrelas de então, fazendo com que seus leitores buscassem entender os textos teatrais clássicos e os artistas procurassem realizar montagens que não fosse apenas espetáculos, mas atos culturais. Sua atuação como crítico teatral, à época, foi de extrema importância para o teatro brasileiro.

Após a revolução de 64 e, durante o período do regime militar, trabalhou no semanário O Pasquim e, paralelamente, na Tribuna de Imprensa, de Hélio Fernandes, onde refinou seu estilo para um sentido mais coloquial, tornando-se parte importante da resistência cultural ao regime, realizando comentários de assuntos internacionais e divulgando ideias como simpatizante trotskista.

Em 1968 passou a editar a revista Diners, oferecida gratuitamente aos portadores desse cartão de credito, e que lançou jornalistas como Ruy Castro. Em dezembro desse ano, logo após a decretação do AI 5, foi preso ao desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro, deixando a prisão somente em janeiro de 1969. Desempregado viajou para a Europa realizando matérias como freelancer, sendo que uma dessas matérias foi uma entrevista com o filósofo Bertrand Russel.

Em 1971 foi residir definitivamente em Nova York, através de uma bolsa de estudos da Fundação Ford, conseguida através da intermediação de Fernando Gasparian. E de lá fez a primeira denúncia sobre a existência de corrupção na Petrobrás. Isso lhe valeu um processo por parte da diretoria da empresa, sobre os olhares complacentes do Presidente de então, Fernando Henrique Cardoso. Condenado nesse processo, Paulo Francis acabou por falecer há vinte anos, sem ver que suas denúncias estavam carregadas de verdades.

*Paulo Francis morreu em 4 de fevereiro de 1997