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Os lobos são ousados

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 18/02/2017 Colunista: Carlos Pinto

“Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim, a negligência do

camponês.”

(Provérbio Zen)

O episódio relatado pelo jornalista Claudio Humberto, de que o Senador Romero Jucá escapou de tomar uma tunda quando desceu no aeroporto da capital do seu Estado, é um aviso de que a paciência do povo está se esgotando. Tive acesso ao vídeo desse episódio, onde “elogios” ao citado Senador são ouvidos, e que foi salvo do incidente por meia dúzia de seguranças.

O referido Senador tem se notabilizado por apresentar projetos casuísticos, cuja finalidade é blindar seus comparsas de responder perante a Justiça, pelos crimes que boa parte dos congressistas vem sendo denunciados. É um lobo ousado, que perde o pelo, mas não perde a pose, que não propõe nada que seja de interesse da coletividade brasileira. Está lá unicamente para servir aos interesses de uma ralé que tomou conta daquelas casas de leis.

Mas o episódio é mais um aviso de como anda a paciência dos brasileiros, que enfrentam uma das maiores crises que o país já viveu, com um desemprego em alta, uma saúde à beira do abismo, observando os milhões que os governantes gastam com os tais de cartões corporativos. Uma pratica que tem que ser extirpada, assim como o tal de foro privilegiado, itens que representam um convite à corrupção.

O Senador Jucá é uma espécie de bobo da corte, ao qual se encomendam esses projetos de salva corruptos, e quando a coisa desanda pela pressão popular, todos os que seriam beneficiados pela manobra, em suas entrevistas, dizem que desconheciam o assunto, e que o Senador Jucá foi instado por eles a retirar o bode da sala. Mas outras tentativas de salvar a pele dos denunciados, ainda estão em andamento e logo teremos novas investidas por algum desses senhores.

Por outro lado, continua o desmanche da cultura paulista, através das iniciativas do Governador Alckmin. A vítima agora foi a Banda Sinfônica do Estado, que ocupa dependências no Teatro São Pedro, e que foi devidamente defenestrada. São sessenta e cinco músicos profissionais desempregados por ato do Governador, que entende que a cultura é a grande responsável pela situação econômica do Estado.

Além disso, em Santos, continua o impasse sobre o prédio da Antiga Casa de Câmara e Cadeia, mais conhecida por Cadeia Velha, que foi restaurada para abrigar a Oficina Cultural Pagu, além de outras atividades culturais. Com o fechamento da referida oficina, pretendem ali instalar a AGEM – Agencia Metropolitana e também o Projeto Guri, que vem funcionando muito bem na Zona Noroeste da cidade.

Há uma revolta nos meios culturais da cidade, com justa razão, que está se movimentando no sentido de que o referido prédio histórico, venha a servir as finalidades que sempre serviu: produção cultural. Enquanto isso, o atual Secretário de Cultura do Estado, quando abre a boca sobre o assunto só fala asneiras. Quanto aos secretários municipais de cultura da região, vão bem obrigado, cada qual na sua cadeira, sem adotar uma posição em favor da cultura regional.