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A novela da Cadeia Velha

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/03/2017 Colunista: Carlos Pinto

“Só os grandes sábios

e os grandes ignorantes

são imutáveis. ”

(Provérbio zen)

 

A Casa de Câmara e Cadeia, é na verdade um imóvel de grande valor arquitetônico, histórico e cultural, edificada em uma área com mais de dois mil metros quadrados, que teve seu projeto inicial em 1836, tendo sido concluído trinta anos depois. Em suas instalações já se abrigaram a Câmara Municipal, a cadeia do município, a delegacia geral de polícia de Santos, tendo sido o cenário da proclamação em 1894, da primeira e única Constituição Municipal elaborada no país.

Sua construção tem o estilo do Brasil Colônia, e está situada na Praça dos Andradas, no Centro histórico de Santos. Em suas celas passaram muitos ativistas políticos que lutavam por liberdades e mais democracia, além, é claro, de criminosos comuns. Era um modelo de construção dos tempos do Brasil Colonial, existindo várias por todo o país. Ultimamente, a de Santos, antes de suas obras de restauração que duraram em torno de três anos, abrigava a Oficina Cultural Pagu.

Terminadas as referidas obras de restauro, iniciou-se a novela referente sua utilização, e o que se esperava que voltasse a abrigar a Oficina Cultural, além das atividades de grupos culturais da cidade. Ledo engano. Como é de praxe em governos tucanos, a cultura é algo irrelevante, e na concepção deles, a cultura é a culpada de tudo de ruim que vem ocorrendo neste país. Mensalão, trensalão, petrolão, são produtos oriundos da atividade cultural, e por isso, iniciou-se um desmonte das atividades culturais em nosso Estado. Só pode ser esse o pensamento na cabeça desses jejunos.

Além de defenestrarem quase todas as oficinas culturais em vários municípios, reduziram a pó as verbas para o setor, atingindo mortalmente vários corpos estáveis até então mantidos pelo Estado. Assim se desmontaram orquestras, corpos de baile, e pretendem utilizar a referida Cadeia Velha, como sede de um órgão do governo, e transferindo o Projeto Guri, da Zona Noroeste, para as referidas instalações recém reformadas.

Contra isso se insurgiram, com muita razão, os grupos culturais da cidade, pois essa atitude ditatorial anunciada, era mais um golpe na cabeça desses grupos e de produtores culturais da cidade e região. Quando um Secretário de Estado da Cultura, vem a Santos, e diz que a função dele não é cuidar de imóveis tombados pelo IPHAN ou pelo CONDEPHAAT, eu me pergunto se esse senhor tem um mínimo de conhecimento da área da qual é titular.

Por outro lado, esse imóvel que pertence ao IPHAN, e está cedido por convênio ao Estado de São Paulo, sob responsabilidade da sua Secretaria de Cultura, merecia melhor sorte em matéria de administração. Se o Estado não o quer mais, que o devolva ao IPHAN, ou que, na melhor das hipóteses, ouça os reclamos da classe cultural da região, já que os secretários da área, nas várias prefeituras, estão sentados eternamente em berço esplêndido.

No próximo dia 10 (março), teremos uma reunião dos grupos culturais para discutir a referida questão. Que todos compareçam e exponham suas ideias, que tracem um planejamento de atividades, cuja finalidade será a de manter as atividades culturais na nossa Cadeia Velha. Sem luta não há vitória.