Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Escolástica Rosa: uma escola em escombros

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 13/03/2017 Colunista: Carlos Pinto

Escolástica Rosa: uma escola em escombros

 

“Não são as ervas daninhas

que matam a boa semente,

mas sim, a negligência do

camponês”.

(Provérbio Zen)

 

Fui aluno da Escola Técnica Escolástica Rosa nos idos dos anos cinquenta. Era uma unidade modelo, onde, além das matérias normais na parte da manhã, à tarde, tínhamos a oportunidade de aprender algum oficio, tais como: marcenaria, carpintaria naval, tipografia, fundição, encadernação, entre outros. Além disso, havia a parte esportiva, onde a escola se destacava no futebol, bola ao cesto, voleibol, natação, atletismo e ginástica.

Inaugurada em 1º. de janeiro de 1908, tinha o caráter de uma obra de benemerência, cuja destinação era a de acolher crianças pobres e órfãs, as quais se daria educação, cultura e o aprendizado de uma profissão. Tudo isto de acordo com o testamento de João Octávio dos Santos, a quem devemos a idealização dessa escola, e que leva o nome de sua mãe.

João Octávio era natural de Santos, onde nasceu a 08 de março de 1830, sendo filho de uma ex-escrava do Conselheiro João Octávio Nébias, que além de batiza-lo, ensinou-lhe as primeiras letras, as noções de matemática, e posteriormente encaminhou o menino nos negócios. Inteligente, João Octávio desenvolveu uma grande visão para o comércio, e assim este jovem mulato foi acumulando grande fortuna, sendo o principal exportador de bananas para as nações vizinhas, e importando trigo da Argentina.

Em seu testamento, por não ter filhos, determinou que parte de sua fortuna fosse destinada a Santa Casa de Santos, e a outra à construção de uma unidade educacional que atendesse meninos pobres e órfãos. Como era uma pessoa previdente, deixou setenta e quatro imóveis, cuja destinação era a de cobrir as despesas com pessoal, alimentação e manutenção da referida unidade educacional. Também fez a nomeação de Júlio Conceição como seu testamenteiro e executor da construção e instalação da referida unidade, que após concluída passaria ser mantida pela Santa Casa de Santos.

Hoje, essa unidade está sob a responsabilidade do Estado, e o que se vê em suas instalações, pelas fotos postadas nas redes sociais, vários setores estão em escombros. Nada mais existe daquilo que era o Escolástica Rosa dos anos cinquenta, com as oficinas fechadas, a pratica esportiva que revelou no passado grandes campeões para o esporte santista e brasileiro, como é o caso de Marina Menna, não mais existe. O Estado, como faz com a cultura, abandonou o imóvel a própria sorte, e o tempo vai se encarregando de detonar o resto.

Nosso Governador hoje está com a cabeça voltada para a Presidência da República, e São Paulo, vive o maior abandono de sua história. Se como Governador tem se portado dessa forma, por certo, se eleito, será um péssimo Presidente, o que entendo jamais acontecerá. Lamento ver a minha escola que, no passado, era um celeiro de bons profissionais e bons atletas, estar hoje vivenciando tamanho relaxamento por parte do Governo de São Paulo, notadamente da sua Secretaria de Educação. E la nave va. (foto:Divulgação/Arquivo)

*A Escola Técnica Escolástica Rosa fica na Av. Bartolomeu de Gusmão, 111 – bairro Aparecida, Santos