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Soffredini e a carreira de um divino

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 03/04/2017 Colunista: Carlos Pinto

Soffredini e a carreira de um divino

 

“A razão e a paixão

são o timão e a vela

de nossa alma navegante.”

(Kahlil Gibram)

 

Na última sexta feira, na Livraria Realejo, aconteceu o lançamento de quatro obras do dramaturgo Carlos Alberto Soffredini. Os quatro textos constantes nessas obras são: “De onde vem o verão”; “Pássaro do poente”; “Vem buscar-me que ainda sou teu”, e “Na carrêra do divino”. O autor é natural de Santos, onde se iniciou nas lides teatrais no TEFFI – Teatro Escola da Faculdade de Filosofia, ao lado de outros expoentes do teatro santista e paulista. Ney Latorraca, Neide Veneziano, Jandira Martini e Neide Rocha, foram alguns dos artistas que se revelaram nas montagens do TEFFI.Como dramaturgo, Soffredini vem juntar-se a outros expoentes da dramaturgia santista, entre os quais Plinio Marcos, Evêncio da Quinta, Greghi Filho, Oswaldo Leituga e o piracicabano radicado em Santos, Oscar von Pfhul. A publicação de algumas de suas obras, mérito que tem que ser atribuído a sua filha Renata Soffredini, vem cobrir uma lacuna, o que não ocorreu com outros autores santistas, como é o caso de Greghi Filho, Oswaldo Leituga e Evêncio da Quinta.

Com estas edições, mais a publicação pelo antigo Serviço Nacional de Teatro, da sua obra vencedora do Prêmio Nacional do SNT de 1967, cujo título: “O caso dessa tal de Mafalda que deu o que falar e que acabou como acabou num dia de Carnaval”, Soffredini não corre o risco de cair no esquecimento como um dos grandes dramaturgos brasileiros. Mas ele não foi apenas um escritor de textos teatrais.

Foi também um diretor de grande talento, revelado a partir de sua montagem de “Electra”, pelo Teatro do Colégio, formado por alunas do Colégio São José, e pela grande encenação de “Prometeu Acorrentado”, pelo Teatro Estudantil Vicente de Carvalho, em 1972, que lhe valeu o Prêmio Secretaria de Estado da Cultura, no Festival de Teatro Amador desse ano, realizado em São Carlos.

Antes disso, pelo TEFFI, já havia encenado duas obras de sua autoria, “O Cristo Nu” e “A Crômica”, com as quais representam o Brasil no Festival de Teatro de Estudantes de Nancy, na França. Além de vários prêmios recebidos por sua carreira teatral profissional, foi agraciado também com o “Kikito”, pelo roteiro de “A Marvada Carne”, no Festival de Cinema de Gramado, em 1985. Além do sucesso alcançado com a montagem de “A Carrera do Divino”, foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte, APETESP e Mambembe, com esta obra e mais a “Vem buscar-me que ainda sou teu”.

Além de seu trabalho em cinema e teatro, junto com Walter Avancini escreveu para o SBT a telenovela “Brasileiras e Brasileiros”, em 1991, e para a Rede Globo, a mini série “Hoje é Dia de Maria”, que alcançou grande sucesso, após ficar cinco anos nas prateleiras da Globo para ser levada ao ar. Tudo isto e muito mais que consta do amplo currículo de Carlos Alberto Soffredini, representavam a necessidade da publicação de algumas de suas obras, para que no futuro, este talentoso dramaturgo e diretor teatral não caísse no esquecimento. Parabéns para Renata, por sua luta sem esmorecimento, que nos proporcionou uma bela noite de autógrafos na Livraria Realejo, e a lembrança de um dos melhores momentos do teatro santista.