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Os governos e o desprezo pela Cultura

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 10/04/2017 Colunista: Carlos Pinto

 

“Aprendi com as primaveras

a me deixar cortar para poder

voltar inteira. ”

(Cecilia Meireles)

Há um desavergonhado desprezo dos governos, sejam eles o municipal, o estadual ou o federal, por tudo aquilo que represente uma ação cultural ou, a produção de qualquer evento que represente a cultura brasileira. Os relatos que recebemos de vários companheiros do interior paulista, ou de cidades de outros Estados, são sempre para denunciar o abandono e a nomeação de jejunos para ocupar cargos oficiais no setor cultural.

Em São Paulo, o nosso ínclito Governador, tem demonstrado um total desinteresse sobre a área, tanto é que ultimamente, só nomeia membros de um partido ligado as questões ambientais. Talvez porque esteja entendendo que a cultura, seja a da cana de açúcar, do milho, da soja ou de outros alimentos em falta na mesa do brasileiro. O que acaba de sair só protocolou frases de efeito, escreveu artigos, e não realizou nada de produtivo. Até agora não se definiram se vão ou não vão realizar a edição da Virada Cultural Paulista.

Na questão federal a coisa também está tumultuada. O atual Ministro entrou criticando que antes dele o MINC era um cabidão de empregos, mas tão logo teve a caneta na mão, nomeou dezoito asseclas do seu partido para os cargos de importância em sua assessoria. Não importa se entendem ou não entendem do assunto. O que interessa é nomear que poderá ajudá-lo na próxima eleição. As mudanças que precisam ser efetivadas na Lei Rouanet, ficam para mais tarde.

E esse aspecto de se nomearem jejunos para gerir a área cultural, fica mais explícita quando se olha para alguns municípios paulistas. Em Franca, o atual alcaide, nomeou candidatos a vereador que o povo rejeitou nas urnas, mas que por certo o ajudaram a sentar no trono municipal, onde até agora não disse a que veio. Ou melhor: disse sim. Quer vender uma faculdade municipal para aplicar o dinheiro em um hospital. De antemão já profetizo que ele pode até vender a faculdade, mas construir um hospital, tenho lá as minhas dúvidas.

Na Baixada Santista observamos o mesmo desinteresse. Até agora não vimos qualquer atitude por parte dos secretários nomeados, que defendam uma posição produtiva com relação aos assuntos culturais. Não conseguem nem ter um posicionamento transparente com relação a utilização do prédio da chamada Cadeia Velha, que segue desabitada em função do impasse sobre sua utilização. Para não maldizer a todos, temos mais uma vez o exemplo de Presidente Prudente, onde, a mudança de Prefeitos, em nada interfere na continuidade de um trabalho cultural exemplar, onde o Secretário Fábio Nougueira, continua seu trabalho sem maiores delongas.

Por último, a denúncia do companheiro Ney Vilela, ex-secretário de Educação e Cultura de São Carlos, e que atualmente defende uma tese sobre o teatro amador paulista, em uma Universidade da Capital. Como o acervo da antiga Federação de Teatro Amador do Centro do Estado, está na Universidade Federal de São Carlos, teve suas tentativas de pesquisa nesse acervo, negadas pela direção da referida UFSCAR. Como vemos, temos também jejunos comandando universidades brasileiras. E la nave va.