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Essa lista fechada é democrática?

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 17/04/2017 Colunista: Carlos Pinto

 

“A esperteza quando é muita,

cresce, fica grande, vira bicho

e come o dono. ”

(Tancredo Neves)

 

Um maremoto invadiu Brasília, tão logo veio a público o teor das delações premiadas de dirigentes da Odebrecht. Poucos escaparam desse dilúvio que envolve, principalmente, a “nata” da classe política brasileira. Dá nojo assistir os telejornais e tomar conhecimento que, quem mandava no País era essa empresa, cujo cabedal de espertezas para corromper a classe política, não encontra similar no planeta.

Mas antevendo os estragos que tais delações fariam na imagem, já arranhada, de determinadas “lideranças”, os espertos de plantão trataram de elucubrar formas de escapar da Lava Jato, e evitar sentar na frente do juiz Sergio Moro. Daí surgiu uma antiga ideia de não mais deixar o eleitor escolher, individualmente, os seus candidatos e enfiar pela nossa goela abaixo a chamada lista fechada, ou seja: o tonto do eleitor passaria a votar em uma lista, elaborada pelos partidos, onde todos esses malandros que estão com a corda no pescoço, teriam seus nomes nos primeiros lugares, garantindo assim a sua reeleição.

Se insistirem nesse casuísmo, é caso de se invadir o Congresso e colocar um ponto final nessa bandalheira toda. Copiar o que os paraguaios fizeram recentemente quando os deputados votaram o estatuto da reeleição para presidente, contrariando a maioria do povo guarani. Estamos muito apáticos diante de tantos malfeitos, que corroem as finanças do país, e nos fazem padecer por falta de uma saúde de qualidade, uma educação de primeira linha, um desrespeito total as nossas raízes culturais.

Visualizar os membros da família Odebrecht, discorrendo sobre todas as patifarias em que participaram, até com um certo cinismo e ironia, é motivo mais que justificado para atitudes mais radicais. Na verdade, eles mandavam ou mandam no País, sem concorrer a nenhuma eleição. Cada deputado ou senador nada mais eram que estafetas de seus interesses comerciais, aos quais eram dados os bônus milionários surrupiados de empresas estatais.

E o pior, é que ainda faltam as delações de outras empresas, o que por certo provocará um novo terremoto. Na sequência vem as delações dos diretores da OAS, Camargo Correia, Engevix, e Andrade Gutierrez, entre outras. Quantos mais parlamentares e ministros aparecerão nessas delações? E cabem outras questões, oriundas de dúvidas que pairam no imaginário popular: será que os mensageiros dessas empresas, entregavam mesmo as quantias que ora relatam, ou simplesmente abocanhavam a grana e afirmam agora ter entregue? Tem recibo?

Enfim, como uma novela macabra, só nos resta aguardar os novos capítulos, e ver até onde vai esse mar de lama. Mas se os congressistas insistirem na aprovação dessa lista fechada, na tentativa vã de escapar das malhas da lei, só resta ao povo tomar o poder e fazer justiça. O que se quer é o fim do foro privilegiado, e a aprovação das dez medidas contra a corrupção, propostas pelo Ministério Público, e apoiadas em mais de dois milhões de assinaturas de eleitores.