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A riqueza cultural brasileira

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 22/04/2017 Colunista: Carlos Pinto

A riqueza cultural brasileira

 

“A música pode fazer pela

alma, o que nenhuma

atividade perceptível aos

sentidos pode realizar. ”

(El Morya)

 

Tive a oportunidade de assistir ao show “Meu Recôncavo”, onde Paulo Costta e Moreno Veloso, fazem um passeio pela musicalidade baiana, num roteiro de sons e ritmos de grande qualidade. Tendo como base os poemas de Mabel Veloso, musicados por Costta, os espectadores tomam conhecimento de toda uma riqueza cultural, representativa de um único estado brasileiro. É sempre bom lembrar também, o talento dos músicos que enobrecem a apresentação, todos eles exímios instrumentistas.

Lamentar apenas que esta apresentação em Santos, não tenha atraído um público maior, mas é bom frisar que, quem não foi, perdeu uma grande oportunidade de enriquecer sua alma, se é que o povo brasileiro anda atrás de se tornar independente culturalmente. Sem querer comentar as mazelas das quais tomamos conhecimento todos os dias, boa parte da culpa cabe ao próprio povo, que se omite do dever de tomar em suas mãos, os destinos deste País.

O Brasil é, em minha opinião, um dos países mais ricos em matéria de bens culturais, seja pela música, pelo teatro e, acima de tudo, pela riqueza do seu folclore. Mas falar destas coisas é quase uma perda de tempo. A corrupção que hoje domina boa parte da nossa sociedade, não deixa frestas em seu paredão escuro, que possibilitem aos interessados uma mínima visão dessa nossa riqueza cultural.

Para quem assiste ao show “Meu Recôncavo”, sai do teatro com a certeza de que há uma luz no fim do túnel. Basta querer enxerga-la. A cultura é um dos principais itens da cidadania, e não são os programetes de televisão que nos tirarão dessa letargia. Aliás, a cultura real passou a perder espaços, após o advento da televisão com suas telenovelas e programas dedicados a artistas factoides, que surgem num dia e desaparecem no outro, após cumprir sua etapa de comercialização.

Os poemas de Mabel falam do dia a dia de uma comunidade, no caso Santo Amaro, que já tive o prazer de conhecer. Falam de coisas familiares, tão familiares como se fossem nossas. Foi professora de Paulo Costta, e agora passados cinquenta anos, ele a homenageia musicando alguns de seus poemas. Quem estiver disposto a percorrer este caminho musical de grande qualidade, pode se deliciar ouvindo o CD do referido espetáculo.

Lá estão “Circo” ou “Lonas Estragadas”; “Se eu tivesse uma casa”; “Minhas filhas” e “Menino do cabelo verde”, entre outras composições, que no disco, contam com a participação de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Mas o ideal é assistir esse maravilhoso show musical, onde o samba de roda, o samba amarrado, o xote e o maxixe, desaguando na bossa nova, marcam a impecável apresentação destes artistas. Aliás, Paulo Costta é conhecido na França, onde residiu por vários anos, como o Embaixador da Bossa Nova naquele país.

É uma pena que nossos governantes, jejunos na matéria, tenham resolvido sufocar a arte e a cultura do País. Sequer tomam conhecimento da importância da produção cultural no mercado de trabalho e na economia nacional. Deveriam pelos menos ler as pesquisas realizadas pelos órgãos oficiais do governo brasileiro, onde a produção cultural aparece como responsável por 2.6% do PIB – Produto Interno Brasileiro.