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O valor da amizade

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 29/04/2017 Colunista: Carlos Pinto

 

“A razão de um cachorro

ter tantos amigos, é que

ele abana o rabo em vez

da língua. ”

(anônimo)

 

Tenho amigos que conservo há mais de cinquenta anos. E quase todos eles são oriundos da área cultural, mais especificamente do fazer teatral, enquanto outros, em menor número, vieram das minhas atividades políticas. Um marco nesse rol de amizades, tem por cenário a cidade de Presidente Prudente, nos idos de 1967, quando lá realizou-se o  V Festival Estadual de Teatro Amador.

E o valor dessa nossa amizade, está no fato de não haver entre nós qualquer troca de interesses, sejam eles de ordem financeira ou de outra natureza. Nunca nos passou pela cabeça efetuar qualquer troca de uma amizade por outra, o que é muito comum no mundo político. Enquanto observo “amigos” que, por motivo de interesses políticos ou pessoais, efetuaram ao longo dos tempos essa troca de amigos, estarem agora passando por atropelos e envolvimentos em situações espúrias.

É certo que esse conjunto de amigos que foi formado a partir de 1967, e foi se ampliando nos anos seguintes em função do fazer teatral, vive cada qual em uma cidade. Nos encontramos duas vezes por ano, para reforçar essa amizade, que com o passar dos anos nos obriga a lamentar a perda de alguns, que partiram para a eternidade. Recentemente nos reunimos em Santos, durante um final de semana, e já estamos nos preparando para novo encontro no mês de outubro, na cidade de Franca.

E o que mantem viva esta chama? Exatamente a amizade sincera, livre de interesses escusos, muito embora alguns de nós já ocuparam ou ocupam cargos públicos, por eleição ou nomeação, sem nunca ter tergiversado ou realizado qualquer proposta desonesta, a qualquer membro do grupo. O teatro e a cultura nos uniram, e a eles devemos essa amizade. Hoje em dia, quando a amizade é moeda de troca entre os marginais da política, e até entre alguns componentes do espectro cultural que caíram no setor de paraquedas, é de se louvar que ainda coexistam grupos de amigos leais.

Não se torna necessário citar os nomes destes amigos de fé que mantenho a tantos anos. Ao ler estas linhas, todos eles saberão do que falo e do que se trata, e a quem me refiro, inclusive alguns não tão amigos assim, e isso basta. E será razão suficiente para a comemoração destes longos cinquenta anos, que vamos realizar em Franca. E se em alguma coisa sou grato a Presidente Prudente, é o fato de ter me propiciado o encontro destes amigos, com os quais venho compartilhando parte do meu caminho.

Os que mais estimam o ouro do que a virtude, não fazem parte do nosso grupo. Enquanto navegamos pela vida, ocorreram tempestades e tempos bravios. Nós apenas os deixamos seguir e continuamos a navegar, tendo sempre em mente que, mares calmos, não produzem bons navegantes. Ou como bem definiu Gandhi, “não precisamos apagar a luz do próximo para que a nossa brilhe.