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Trinta e sete anos sem Paschoal Carlos Magno

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/05/2017 Colunista: Carlos Pinto

Trinta e sete anos sem Paschoal Carlos Magno

 “Contagia de alegria ao teu redor,

e tenta ir além das fronteiras

pessoais a que tenhas chegado,

aprisionado pelo tempo. ”

(Pablo Picasso)

 

O último dia 24, marcou a passagem dos trinta e sete anos de falecimento do Embaixador Paschoal Carlos Magno, seguramente o maior incentivador, promotor e criador cultural deste país. Com ele esvaíram-se os sonhos de uma nação onde a cultura, tivesse um papel preponderante na formação da cidadania de nossa juventude. Seus Festivais Nacionais de Teatro de Estudantes, revelaram grandes talentos para as artes cênicas brasileiras, e eventos dessa natureza escasseiam cada vez mais, em um país onde os governantes tripudiam sobre tudo que lembre ação cultural.

O Teatro Duse, instalado em sua casa em Santa Tereza, propiciou o lançamento de grandes artistas, entre os quais cito Cacilda Becker, a eterna primeira dama do teatro nacional, além de Glauce Rocha, Napoleão Muniz Freire e Sergio Cardoso. Sua Aldeia de Arcozêlo, em Paty do Alferes, um sonho não concretizado, tinha por finalidade a criação de uma universidade das artes, com a função precípua de formar novos talentos para as artes do país. Um sonho enterrado pela falta de sensibilidade e de interesse dos nossos governantes, que hoje está em ruínas como um exemplo indigno do tratamento dispensado a cultura nacional.

Paschoal era assíduo frequentador da cidade de Santos, onde tinha familiares, entre eles seu irmão Roberto Carlos Magno, fundador do Clube Caiçara. Era Cidadão Santista por proposta do edil Odair Viegas, aprovada pela Câmara Municipal. Aqui realizou o II Festival Nacional de Teatro de Estudantes, com ajuda do então Prefeito Silvio Fernandes Lopes, e colaboração de Patrícia Galvão. Um evento que revelou para o país, o talento do Grupo Oficina, além de José Celso Martinez Correia, Etty Frazer, Plinio Marcos, Fernando Peixoto, Chico Martins, entre outros.

Mesmo sem ajuda governamental, com auxílio de amigos e empresários, realizou sete festivais nacionais, onde detonou a maior parte de sua fortuna, boa parte desse dinheiro, na referida Aldeia de Arcozêlo. Aliás gostaria de saber que fim levaram os 300 oratórios, representativos dos séculos XVI a XIX, que Paschoal garimpou por este país, que estavam na Aldeia. Onde foram parar suas obras de arte, que embelezavam o casarão de Santa Tereza, entres as quais, obras de Picasso, Di Cavalcanti, entre outros artistas de expressão mundial.

Com seu falecimento, morreu também parte da memória da cultura nacional, e aos poucos, a nação vai se esquecendo deste grande patriota, que recebeu da União Nacional do Estudantes, o título de Estudante Perpétuo do Brasil. Enquanto este país virou o paraíso dos gatunos, a nossa cultura escorre pelo ralo da insensibilidade e do medo que essa corja que nos governa, tem dos artistas e produtores culturais. Como disse Hermann Hesse, “se temos medo de alguém, é porque demos a esse alguém algum poder sobre nós.”

Foto: Divulgação