Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Salvem nossa Cultura, nossas orquestras e museus

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/06/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “O mal que os homens fazem,

permanece após sua morte.

O bem, esse quase sempre é

enterrado com seus ossos. ”

(W.Shakespeare)

 

Chega a ser constrangedora, a situação dos músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira, com sede no Rio de Janeiro, que não recebem seus salários há sete meses. Para sobreviver, os músicos estão tocando em esquinas, em bares e onde podem, passando o chapéu, para conseguir uns trocados e tentar viver sem passar fome. Alguns desses músicos, contratados em países do leste europeu, com mais de trinta anos como funcionários da OSB, estão passando necessidades. Tudo por culpa de um governo corrupto, que roubou o quanto pode dos cofres do Estado e da Prefeitura, que abandonou a tudo e todos, e que agora não ostenta condições financeiras para saldar seus compromissos, e os salários de seus funcionários.

Nada de diferente daquilo que ocorre com relação ao Governo Federal e a maioria das Prefeituras e Estados do País. Recentemente foi inaugurado em São Carlos, um museu em homenagem a um de seus filhos ilustres, o humorista Ronald Golias. Dias após a inauguração, a Prefeitura simplesmente fechou as portas do museu e ninguém consegue visita-lo. Quando questionados, há sempre uma desculpa esfarrapada como justificativa. O nosso Museu do Ipiranga, onde está um dos acervos mais representativos de nossa história, continua aguardando as reformas necessárias e sua abertura para visitação pública.

Sobre a Aldeia de Arcozêlo, na cidade de Paty do Alferes, Estado do Rio de Janeiro, seus imóveis estão caindo aos pedaços sem que a FUNARTE, órgão federal pertencente ao Ministério da Cultura, tome qualquer providencia para recuperá-los, já que esse patrimônio é de sua responsabilidade. Orquestras e grupos de dança de São Paulo, estão sendo desmontados, por absoluta falta de apoio financeiro por parte do Estado, responsável por esses grupos estáveis.

A Virada Cultural Paulista, foi reduzida a um mínimo de cidades, eliminando a participação de artistas de cidades participantes, deixando fora de suas programações os centros culturais mais importantes do interior paulista. Fato que levou a Prefeitura de Presidente Prudente, a organizar a sua própria Virada, contratando apenas artistas da cidade, com uma vasta programação. O que se vê por todo o País, é o total desmonte da área cultural, como se os artistas e produtores da área, fossem os responsáveis pelo caos econômico do país, e não, as quadrilhas encasteladas nos mais variados órgãos da administração pública, que meteram a mão com vontade na maior cara dura.

Enquanto isso, a morosidade da nossa justiça, o excesso de filigranas das quais se valem os advogados dos gatunos, a cumplicidade de membros do judiciário com o clima de impunidade geral, não nos permite vislumbrar uma luz no fim desse túnel em que enfiaram a sociedade brasileira. E assim sendo, somos obrigados a conviver com essa classe política sem ética, sem princípios e sem dignidade, fruto da falta de cultura do povo, que vota sem consciência, e termina por eleger seus próprios carrascos.