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Cultura: matando a memória nacional

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 17/06/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “A melhor maneira de

ser livre é ser culto.”

(José Marti)

Os governos que se revezaram no Brasil, excetuando o período de Juscelino Kubistchek, graças a Paschoal Carlos Magno, sempre deram pouca importância a uma política cultural de qualidade. Foram levando de forma a evitar que o povo, tivesse acesso irrestrito aos bens culturais. O Ministério da Cultura é sempre ocupado por jejunos, excetuando os tempos de Gilberto Gil e Juca Ferreira, e utilizado como moeda de troca em barganhas políticas para se obter apoios no Congresso Nacional.

Ultimamente o cargo está tão definhado, que nenhum político carreirista se apresenta para ocupa-lo, e isto posto, no atual governo do senhor Temer, já tivemos quatro ocupantes e agora, ninguém o quer. Até a Marta Suplicio o rejeitou. E quem vai querer um Ministério esvaziado, sem dotação orçamentária, sem perspectivas de um tênue futuro? Este desmanche da cultura que ocorre em todo o país, é também o resultado da falta de união dos produtores, criadores e artistas, que preferem se utilizar da máxima popular “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

O que está acontecendo no Rio de Janeiro, com os 530 funcionários do Teatro Municipal, entre artistas e funcionários burocráticos, sem receber salários desde abril e sem ter visto até agora o 13º. Salário de 2016, é realmente vergonhoso. E isto é um aspecto que atinge também os milhares de funcionários estaduais, vítimas da roubalheira praticada pela quadrilha do senhor Sergio Cabral, que dizimou as finanças do Estado e acabou com a Cidade Maravilhosa.

Os músicos tocando em bares e esquinas para sobreviver com dignidade e os demais, se virando como podem para não sucumbir diante de tanta degradação. Eis que agora surge o grito de socorro da primeira bailarina do Municipal, Márcia Jaqueline, que há dez anos ocupa essa função. Sem receber, resolveu aceitar um convite vindo da Áustria, onde será contratada pelo Salzburg Ballet. E para sua despedida, os bailarinos resolveram se aliar aos músicos da Orquestra Sinfônica e aos membros do coro do teatro, para realizarem quatro apresentações da ópera “Carmina Burana”, do compositor alemão Carl Orff.

É o grito de socorro da bailarina e dos artistas do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, muitos dos quais, para sobreviver, estão vendendo quentinhas e trabalhando como motoristas do Uber. Será a última apresentação de Márcia Jaqueline, antes de partir para os ares austríacos, onde por certo receberá um tratamento adequado a sua qualidade como artista. Um tratamento que não lhe foi dispensado pelo Governo do Rio de Janeiro.

Em linhas gerais, este é o tratamento que vem sendo dispensado aos produtores, criadores e artistas no cenário caótico do nosso país. Um país rico em folclore e em tradições culturais, riqueza essa que vem sendo devastada por governantes inescrupulosos, que enchem os bolsos com o dinheiro público, e estão se lixando para a situação da cultura nacional. Além de matar em hospitais, estradas e outros itens, estes gatunos resolveram agora mamar também, o pouco dinheiro que é destinado ao setor cultural. E não vejo ninguém preso. Será que veremos algum dia? E assim, vão matando a memória nacional.