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O Senado virou o Bataclan?

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 15/07/2017 Colunista: Carlos Pinto

 

“As pessoas que falam muito,

mentem sempre, porque acabam

esgotando seu estoque de

verdades. ”

(Millôr Fernandes)

 

O recente episódio das ínclitas senadoras que usurparam a mesa do Senado Federal, é um exemplo claro de como, algumas “senhoras”, jogam contra qualquer campanha que se faça, em favor de um tratamento digno e humano por parte da sociedade, para com as mulheres. É certo que aquela casa de leis de a muito tempo, virou cenário de esbórnia e de decisões pouco republicanas. Mas não precisava deixar as coisas tão explícitas.

As senadoras que se envolveram neste episódio, transpondo as barreiras da ética e se apossando da mesa diretora, deram uma demonstração clara e evidente de que não respeitam nada. Nem seus colegas de esbórnia. O que se esperar então de tais representantes do povo? Algumas delas envolvidas nas maracutaias da Petrobrás, e no episódio que surrupiou dinheiro dos aposentados.

Mas o pior deste episódio, está em uma denúncia de um colega da Imprensa, que flagrou a Senadora Gleise, ligando para o Presidente da CUT e solicitando autorização para terminarem com a baderna. Baderna essa que, entre outras coisas transformou a mesa diretora do Senado, em um recanto de um bar qualquer.

Este fato significa que, mais uma vez, a direção da CUT está por trás desta anarquia, além das que costuma patrocinar pelas ruas do país afora. Agora, uma senadora eleita pelo voto popular, se sujeitar a uma decisão de um presidente de uma entidade sindical, é o mesmo que repudiar os votos recebidos de seus eleitores.

No entanto, apesar dos maus exemplos praticados pelas senadoras, o fato é que a tal manifestação não resultou em nada. O governo acabou levando a melhor na contagem dos votos da CCJ, e tudo continua como dantes, no quartel do Abrantes. E o que mais impressiona neste nosso Congresso, é o fato de implicados e investigados nos episódios de corrupção, estarem votando pela absolvição ou condenação, de um Presidente também acusado dos mesmos crimes.

Espera-se agora, que a mesa do Senado convoque a Comissão de Ética para analisar a conduta das senadoras em questão. Caso não o faça, somos obrigados a crer que tudo nunca deixou de ser uma ação combinada, o que por certo viria a enxovalhar ainda mais, uma casa legislativa que já não conta com o apreço popular.

A verdade é que determinados membros deste Congresso, estão esticando demais essa corda. Um dia ela rebenta e, quase sempre, é para o lado mais fraco. Só resta saber quem será o lado mais fraco. Eles ou nós.